domingo, 12 de janeiro de 2014

A guitarra e o amplificador


Nem todo valvulado é o máximo. Válvulas sozinhas não fazem milagres.

É impossível dissociar a guitarra de um amplificador, pois é ele quem da voz a ela...ou seja, é ele quem fará a guitarra ser ouvida...e aí também reside o problema. Achar o amp que te agrada. Existem N marcas e modelos no mercado e hoje talvez não seja um trabalho tão ingrato assim, mas em outros tempos não era tão fácil.

No começo dos anos 70 tinhamos as marcas nacionais valvuladas e que se vc tivesse sorte, conseguia ter um bom amplificador. A Giannini fazia cópias muito bem acabadas de amps Fender e existia até uma certa fartura de modelos, de todos os tamanhos. Desde pequeninos como o Minin Mighty, Valiant...a cabeçotes a la Marshall, como o Thor, que era usado pelo Pepeu Gomes na época dos Novos Baianos.

Meu primeiro amp era valvulado... um pequenino da marca Ipame e que soava lindamente com o volume no talo. Depois dele, tive outro da mesma marca, um pouco maior mas que não soava tão bem como o primeiro, apesar de ter mais recursos. Na época de meu primeiro conjunto, tive um True Reverber da Giannini, que era um modelo parecido ou copiado do Fender Twin Reverber. O baixista da banda tinha um cabeçote Phelpa, também valvulado, com uma caixa de 4 falantes de 12 polegadas. Curiosamente eu não gostava do som da minha guitarra no True Reverber e nem ele do som do baixo no Phelpa. Um belo dia descobrimos que o inverso era o máximo. Minha guitarra no Phelpa soava linda e o baixo no True Reverber, da mesma forma. Daí que nos ensaios fazíamos a troca e era só alegria.

Outra marca menos conhecida dos anos 60 e 70, se chamava Alex. Certa vez fui na casa de um cara, não lembro qual o motivo, e ele tinha um combo Alex que lembrava o Fender Bassman com acabamento tweed e parecia ser realmente uma cópia deste amp. O fato é que toquei nele e alucinei. Tinha um timbre maravilhoso, saturava... na mesma hora perguntei para o cara...quer vender? Ele riu e disse...nunca. Nem insisti, mas tinha uma joia ali que ficou passeando nos meus sonhos. Cheguei a procurar outros amps desta marca, mas os que achei não eram grandes coisas.

Amps tem características...valvulados e transistorizados e nem todo amp do mesmo modelo soa exatamente igual. Tem amps que tem o som mais agudo, outros puxam para o médio... são frequências acentuadas no seu som e normalmente características de cada modelo...então pra você timbrar sua guitarra neles, você tem que saber que vai ter que brigar com isso. Normalmente você perde, pois por ser característica do timbre do amp, independente de você zerar o botão de agudos, médios (e tem amps que os controles não zeram)... você não consegue se livrar dessas frequências embutidas. Se um determinado amplificador não te der um timbre próximo do que você quer, se esse amp tem frequências que você não consegue tirar ou atenuar de forma satisfatória e elas transformam o teu timbre em outro, ou você precise recorrer a equalizadores e sei lá mais o que.. bem..desista dele ou se acostume com isso.

A chance de poder testar amps é fundamental. Teste um por um com apuro, pois o volume, o lugar aonde você esta, o que você vai usar no teste...engana muito. Ele com o volume alto pode soar bom ou ruim. Claro que você não vai ter como testar muito alto na loja, então faça o seguinte...eu faria isso. Leva a tua guitarra, o pedal que vc usa pra booster, distorção...enfim..pra solar. Liga o amp, volume baixo pensando como se ele estivesse soando alto, regule tudo do seu jeito e aí você vê se teu som fica bom no amp ou não... se ele chega aonde você quer ou próximo disso.

No meio dos anos 70, a invasão dos transistorizados estava indo de vento em popa. A Giannini não fazia mais amplificadores valvulados, pois a demanda era muito pequena. O rock, guitarras e afins, não tinham o apelo que passaram a ter a partir dos anos 80, então creio que as indústrias não se preocupavam em investir, até porque o sonho de quem tocava não era ter um Giannini.

Na onda dos amplificadores transistorizados, eles lançaram o modelo BAG. Um pequeno combo com um falante de 12. Tive dois. O primeiro era super simples, com 1 botão apenas para tonalidade, um reverber fajuto.. mas a verdade é que por incrível que pareça, o bichinho tinha um timbre bonito, decente e real. Tenho uma gravação de ensaio feita apenas com ele, minha Strato e um phase shifter Small Stone, que não me deixam mentir. Tenho outras gravações onde o uso junto a um Overdriver Colorsound e a boa impressão é a mesma. O segundo desta linha BAG tinha mais recursos e potência, mas o timbre não chegava nos pés do primeiro.
Outros modelos foram lançados, outras marcas, mas não me lembro usando nenhum específico e nem de ninguém falando bem de algum.
Hoje temos opções de transistorizados, valvulados, hibridos (amps transistorizados que usam uma válvula na seção de pré amplificação) ...abundãncia de marcas, das mais conhecidas as menos...


Valvulado x transistorizado

Sempre existiu a discussão valvulado x transistorizado. Na realidade uma grande besteira. São duas classes de amplificadores e seu uso deve ser pautado em praticidade, custo benefício e mesmo, recursos financeiros de quem vai comprar. Se você tem grana, não falo nada, mas se você é um duro... bem, aí tem o caso de todo guitarrista querer ter o seu amp valvulado e é um argumento imbatível; mas no dia a dia, para ralações mundanas, vale muito mais a pena você ter um transistorizado.

Auditivamente falando, um bom valvulado é melhor que um bom transistorizado? É, não ha o que discutir e os motivos são mais que sabidos. Mas um transistorizado de boa qualidade não deixará ninguém infeliz, terá um preço mais acessível, menos cuidados que um valvulado precisa e nem vai te deixar a sensação de que: Putz, gastei uma grana preta em um senhor amp valvulado, tenho que trata-lo a pão de ló, coloco ele pra ralar a noite toda por 3, 4, 5 horas e no final da noite ganho 50 pratas..o que não paga sequer uma válvula do pré, e ainda tenho que tocar um monte de música ruim pra ganhar esses 50 reais.
É a realidade da maioria.

Minha opinião é que se você puder, tenha o seu amp valvulado tão sonhado, mas tenha também algum transistorizado pra botar nas roubadas e nos sons que não valem a pena. Use o valvulado em gigs bacanas e em gravações. Gaste também uma grana a mais mandando fazer um hard case para o seu valvulado...proteja-o.

Meu último amp valvulado foi um Crate Vintage Club 30. O comprei novo em 1995 e o vendi em 2012. Quando se abria o case, passados 17 anos, ainda se sentia o mesmo cheirinho de novo dele...acredite. Esse amp ralou muito comigo e quando o vendi, seu estado foi elogiado pelo técnico que a pessoa que o comprou, levou para ver antes de fazermos o negócio. O melhor investimento para um amp valvulado é um case para ele. Mesmo se ele ficar só dentro de casa.

Hoje temos transistorizados para todos os gostos e bolsos. Gosto da praticidade desses amps, assim como alguns tem o som bem decente. Particularmente gosto dos transistorizados Fender, seu som clean é imbatível, assim como também gosto do reverber deles.
Mas temos muitas opções de marcas e isso é ótimo. A Yamaha fazia e deve fazer ainda, transistorizados fantasticos, assim como também tem excelentes guitarras e baixos...além de baterias, teclados... Nunca peguei algo da Yamaha que fosse ruim.

Outro fator a se analisar na compra de um amplificador é sua potência. Para quê você comprar um amp de 100 watts, se não vai usar nem a metade dessa potência? Sem contar que um amp de 100 watts, normalmente usa uma caixa externa..um trambolhão.. e mesmo se for um combo, teoricamente não será tão pequeno e nem tão leve assim. Parta do princípio de que se você não toca em uma banda famosa, em palcos grandes, para grandes platéias... você precisara de menos. Exceção se você é um guitarrista de Heavy...acredito que a maioria deva sonhar com pelo menos um cabeçote Marshall e uma caixa com 4 falantes de 12...o que também não quer dizer que você não possa fazer o seu Metal com um pequeno combo. Sabendo usar você se vira. Em um valvulado, não pense por exemplo que 30 watts é pouco volume. Essa potência em um amp valvulado é real e você pode se surpreender com a resposta que terá.

Timbre e partes da guitarra


   
O bom som e o seu som de guitarra, é uma combinação de coisas e que vão além da guitarra em si. Mas por hora, fiquemos na guitarra.

A madeira do corpo por exemplo.: Existem várias madeiras utilizadas. Nenhuma te dará uma mudança tão drástica de timbre, sustain.. mas é claro que alguma mudança terá. No meu caso, talvez pelo hábito de usar por tanto tempo uma Fender em Alder, para o meu timbre e gosto é a madeira que me soa melhor. O Ash é bacana também, mas me falta algo. O Mogno funciona lindamente com humbuckings, mas com single-coils, nunca achei um que me soasse satisfatório. Tenho uma Tele em mogno feita por um luthier, que virou cobaia para meus testes com captadores. Tentei todo tipo de single-coils nela.

Ativos, passivos, Hots, humbucking em formato de single...Fender, DiMarzio, Seymour Duncan, marcas ignoradas.... nenhum me agradou a resposta...já com humbuckings, ela falava muito bem. Não é a tôa que a madeira mais usada pela Gibson, onde mesmo os captadores single coils, não soam como um single Fender, é o mogno.

Existem várias outras madeiras que são usadas na fabricação de guitarras, mas gosto dessas clássicas, principalmente o Alder, que me sôa balanceado aos meus ouvidos e gosto.

O braço tb diz muito em relação a timbre. Braços maple (madeira clara na escala) são brilhantes, mais agudos em relação aos de madeira escura, os rosewood, que soam mais macios, doces e menos brilhantes.


A qualidade do material usado na ponte, implica também em timbre, sustain, clareza e corte.

Um toque sobre pontes flutuantes. A Fender vem de fábrica com 5 molas. Muitos guitarristas para deixar a ponte macia e suave, retiram duas molas e as vezes três. O resultado é que ela fica realmente muito macia, mas em contrapartida, se arrebenta uma corda a afinação vai para o espaço; e se você estiver tocando ao vivo é realmente um problema. Na Fender, a forma para isso não acontecer é retirar apenas uma mola, deixando-a com 4 molas. Ela não desafinará assim e você terá a ação da alavanca mais suave. Se você usa muito a alavanca, meu conselho é colocar uma ponte estilo Floyd Rose. Me parece que ela desafina da mesma forma, caso arrebente alguma corda, mas como nunca usei uma ponte dessas, não posso afirmar que seja correto isso.


O nut, não sendo de plástico, minha preferência é pelo tradicional de osso. Existem nuts de outros materiais, mas tirando o de metal, que já usei, não tenho opinião formada. Não senti uma mudança muito expressiva do osso para o metal, mas é claro que existe, conforme o material usado.


Potenciômetros ruins tb podem alterar o timbre, deixando a guitarra com um som velado...não economize nisso pois é dinheiro,  tempo e trabalho jogados fora, sem contar que potenciômetros são baratos.


O capacitor usado no potenciômetro para timbre, também faz diferença e variações que se consegue colocando capacitores de valores que não sejam os usados normalmente, a mim nunca agradaram, então quando mexo nisso, procuro os tradicionais.


As cordas que vc usa tb atuam no timbre. Atuam em termos de peso,  volume, clareza...em um som mais magro ou mais denso (gordo), mais agudo ou mais puxado para o médio ou grave....
Existem diversos calibres e é questão de gosto e necessidade do guitarrista. No meu caso as 0.10 estão perfeitas, apesar de as vezes sentir necessidade de um som mais cheio e firme, quando uso o slide. Como uso a mesma guitarra para tocar com e sem slide, a 0.10 tem uma tensão que não me arrebenta os dedos e soa a contento. Mas calibre de cordas é de cada um. Só não aconselho abaixo de 09.

Nos anos 70, cordas eram um grande problema...a falta de opções era gritante. Conseguia-se quando muito cordas Fender e Gibson. Das Fender eu não gostava do som, além de elas durarem pouco. Gostava da Gibson que tinha uma tensão para mim, perfeita e o timbre consistente. Vc encontra variações de tensão em cordas do mesmo calibre mas de fabricantes diferentes, entre outras coisas. Uma corda mais facilmente encontrada na época, era uma Italiana da marca Galli e que vinha com uma mizinha extra de brinde. Usava 08...não sei como, até descobrir a 09 e depois definitivamente, a 010. Já testei 013 a título de curiosidade, mas eu teria que mexer em toda a regulagem da ponte, incluindo o braço, que chegou a envergar um pouco com a tensão excessiva das cordas mais pesadas. 0.11 seria um meio termo mas preferi continuar com a 010.

Um toque sobre colocação de cordas: Para a corda desafinar pouco, use-a curta. A partir da tarracha que você estiver colocando a corda, deixe sobrando uns três ou quatro dedos e corte a sobra.


Captadores

Captadores fazem uma grande diferença no timbre, volume, corpo...
Existem diversos tipos e marcas e para chegar no que vc quer, só testando.
Só abandono um captador depois de comprovar que o mesmo não vale um tostão furado, mas antes disso faço bastantes testes com ele. Passei a pensar assim, depois que descobri que um determinado captador que eu tinha, soava um lixo em madeiras normais e depois me surpreender com ele em uma guitarra vagabunda que eu tive, cuja madeira acredito que fosse pinho.

Viajei na maionese e escavei a guitarra toda, fiz um tampo com um material que lembra alumínio (ou é alumínio..não sei) e é usado em cases. Minha idéia é que ela soasse meio como um dobro. Funcionou melhor ainda..ficou um misto de dobro com violão e o tal captador vagabundo traduziu isso de uma forma que nenhum outro que testei depois, captadores bons e de marca, conseguiram reproduzir com um som tão legal quanto ele. Este captador, pasmem...era um single que eu tinha da Sound Malagoli e que era vendido avulso nos anos 70.

Infelizmente o perdi em um acidente com cola Araldite..e esta guitarra terminou indo para o lixo. Portanto...nunca subestime um captador. Dependendo da madeira do corpo da guitarra, sua construção, se é sólida, semi-acustica, sua ponte... captadores aparentemente ruins, em algumas guitarras podem soar lindamente. Já alguns, são ruins mesmo e aí não tem santo que dê jeito.

Primeiras timbragens



Desde que me lembro, sempre tive minha atenção voltada para os timbres das guitarras. Se ouvia algum guitarrista cujo timbre não me agradasse, geralmente perdia o interesse em continuar ouvindo, exceto se o tal guitarrista tivesse algo além, apesar do timbre feio. Minha gana por isso cresceu e me fez ficar ligado nos detalhes. Aos poucos fui percebendo que muita coisa envolvia ter uma boa timbragem.

Primeiro reparei no que o guitarrista fazia, como ele tirava os sons...até então, para mim era basicamente ele e a guitarra. Em 1970, conhecia uma ou outra banda de rock e muito do pop da época e da decada passada. Em 1971, motivado pelo som do Santana, comprei um bongô. Aprendi apenas uma música e larguei de mão.  Atravéz de um amigo de infãncia (Ivon Azambuja) e que também estava começando a se interessar em tocar, aprendi meus dois primeiros acordes...da mesma música do Santana que eu tentava tocar no bongô. Um mi e um la..só tinha isso na música. Santana não foi uma influência para mim, apenas um acaso. Em seguida arrumei meu primeiro violão. Na casa deste mesmo amigo, atravez de seu irmão mais velho, Wilson, que era meio hippie e estava antenado no que acontecia e também atravez de meu irmão mais velho, eu ia conhecendo novas bandas.

Foi na casa desse amigo que ouvi pela primeira vez Rory Gallagher, e não poderia ter sido de forma melhor. Seu disco Live In Europe havia acabado de sair, ele havia sido eleito o músico do ano pelo jornal Melody Maker e o melhor guitarrista de 1972. No começo de 1973 estava com minha primeira guitarra, que consegui trocando por minha última prancha de surf. O disco do Rory tinha sido como uma janela se abrindo para mim e me lembro degustando e absorvendo a guitarra de Messin with the kid, prestando atenção em cada detalhe do solo do meio. Ali percebi que aquele monte de variações nas notas, eram basicamente criadas pelas mãos dele. O uso da palheta, harmônicos, abafamentos, picados, modulações no som...uma coisa foi me levando a outra e a percepção ia aumentando, na medida que ia aprendendo como reproduzir aqueles detalhes e via que tinha mais coisa ali do que eu pensava.

Reparei que Rory as vezes fazia soar notas como se elas tivessem um wha-wha natural. Rory usava também um recurso deste tipo, mas usando o potenciometro de tonalidade da guitarra para fazer este efeito. A outra forma com que ele fazia isso, não era tão clara, mas observando e por tentativa e erro, descobri que aquelas modulações estavam totalmente ligadas a palhetada, a timbragem no amplificador, que precisava de um certo nível de saturação e que em algumas regiões do braço elas soavam mais fáceis. Como tive sorte com meu primeiro amplificador, que mesmo com pouquíssimos recursos timbrava lindamente e com o volume no talo saturava, cheguei próximo do que ouvia o Rory fazer. Claro que isso foi com o tempo. Algumas descobertas vem as vezes por acaso e acende uma luz em você..."ahhh, é assim que ele faz", "opa, que isso? Consegui tirar aquele som..." E você vai percebendo também o que precisa para conseguir esses sons.

Rory Gallagher foi fundamental para mim, inclusive por me permitir entender outros guitarristas..como foi o caso do Jimi Hendrix, que eu já conhecia mas sua guitarra genial estava além do que eu poderia entender, até então. A medida que fui aprendendo coisas, não só com ele, mas também com o monte de outros guitarristas que ia conhecendo ou redescobrindo, como o Hendrix, minha curiosidade em relação a guitarra, o que tinha dentro dela, a imensa variante de timbres que eu ouvia...só foi aumentando. Uma coisa levou a outra e comecei a fazer alguns testes, para ver se conseguia alguma alteração no timbre da minha guitarra, algum ajuste em algo que eu sentia não ser legal nela...ia fazendo por tentativa e erro. Errava mais que acertava mas tudo certo. Por sorte minha, esta guitarra tinha uns captadores estilo soap bar e soava realmente quente, daí que ela respondia bem as experiências que eu tentava.

As vezes só temos uma guitarra, que pode ser um excelente instrumento ou um instrumento não tão bom assim, mas que é o que você tem no momento. Nunca tive pena em esmiuçar uma guitarra e nem sou um purista daqueles que acha um sacrilégio alterar um instrumento, seja ele vintage, novo, velho... sempre me importou a funcionalidade dele e as alterações que fiz e faço, são sempre buscando uma determinada sonoridade, ou para tentar suprir alguma deficiência que o instrumento tenha e que me incomoda, ou me falta. Ficar trocando de guitarra nunca foi a minha, exceto se você tem comprovadamente um pau de cordas na mão, aí não vale a pena tentar transforma-la em algo decente.

Daí que as respostas que tive com meus experimentos vida a fora, me fizeram chegar a algumas conclusões. Não sou dono da verdade e é claro que certas coisas funcionam para mim, para outros pode ser que não, tudo depende da resposta que cada um tem e de suas espectativas em relação aos testes que faz.

Minha primeira guitarra, uma Giannini Gemini, foi praticamente desconstruida por mim. Meu primeiro violão, e o segundo também, foram pelo mesmo caminho. Não pense que sou um louco destruidor de guitarras e violões. Sempre que me aventurei a tentar fazer algo, foi buscando alguma mudança que na teoria funcionava e na prática.. bem, algumas vezes não funcionava. Já me arrependi algumas vezes, mas ainda prefiro acreditar na máxima "tentativa e erro" pois podemos ter belas surpresas.

Experiências

Pulando os tempos, no  final dos anos 80 estava querendo ter um peso maior nos agudos de minha Strato e imaginava que colocando um humbucking na ponte eu conseguiria isso, uma vez que via gente usando com essa finalidade. Mas não queria perder o single coil da ponte também. Não pensei duas vezes. Comprei um humbucking PAF da DiMarzio e escavei a madeira, de modo que coubessem os dois pick-ups. Luthier naquela época continuava não sendo muito fácil de se achar. Eu conhecia apenas alguns velhinhos donos de lojas e que faziam pequenos ajustes, mas não eram exatamente luthieres e também nem sabia se eles ainda estavam vivos.

Sendo assim, peguei um formão e outras ferramentas menos nobres e escavei a vítima. Ficou uma porcaria o acabamento, mas para o que eu queria fazer estava perfeito. O problema seria o pick guard, pois naquele tempo, não tinha como hoje peças de reposição a venda nas lojas. Fiz o que? Cortei o escudo.

Fiz o buraco para o humbucking, junto com o single coil original da Strato, que passou a ter um ãngulo reto como os outros single coils. Precisei também botar uma chave extra para o humbucking e as variações que ele me daria. Não era um expert em parte elétrica, mas por estar acostumado a fuçar e com o esquema do DiMarzio ajudando, fiz as ligações.

Ficou uma lambança a fase do humbucking em relação a fase dos singles, mas ao mesmo tempo consegui uma gama de timbres novos e interessantes. Por algum motivo, atravéz do potenciômetro de volume também conseguia sutis variações de timbres e descobri que quando eu o abaixava ao redor do 7 ou 8, tinha o humbucking sozinho e conforme a posição da chave, em série ou paralelo.

Ficou perfeito, exceto que em pouco tempo descobri que não era um grande fã de humbuckings e o resultado é que ele ficou ali apenas como enfeite (um enfeite feio, diga-se de passagem) pois descobri que ao vivo, as variações com os single-coils não soavam assim tão bem e o humbucking sozinho não era exatamente o meu timbre. Para gravações, as combinações humbucking x single, soaram muito interessantes pela gama de timbres, mas ao vivo, em volume alto, não. Me arrependi principalmente em ter cortado o pick-guard original da Strato, mas são ossos do ofício.

De resto, tentei algo que funcionou mas não exatamente como imaginava. Mas de que forma eu saberia, não tendo uma outra guitarra para servir de cobaia e nem tendo como hoje, internet para buscar informações?