terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Frequências ocultas



Se um guitarrista ouve algo que um engenheiro (técnico de som) diz ser impossível, aposte no guitarrista.

Isto foi dito por Por Craig Anderton.
link http://www.harmony-central.com/articles/tips/guitar_cords/

Sem querer me gabar, eu tenho um ouvido não absoluto, mas clínico para ouvir coisas que outras pessoas não ouvem de primeira...e as vezes mesmo eu mostrando continuam sem ouvir. É um dos motivos dessa coisa do timbre me azucrinar tanto. Eu ouço!

Um amigo meu, Sergio Izeckshon... músico, baixista, compositor, professor formado, dono de estudio e que também da aulas de Home Estudio... uma vez disse. "O Fernando escuta coisas que só ele escuta".
Isso foi depois de comprovar algo que eu ouvia e ninguém na sala de gravação tinha percebido.

Ele tinha uma banda chamada Operação Rio, da qual eu também participava.
Cheguei no estudio e estavam ouvindo a gravação de voz de uma determinada música.
Depois de ouvir eu falei pro cantor:

"Que barato isso que você faz com a voz algumas vezes"

Aí ele me perguntou surpreso o que era.

Sergio soltou a música e eu mostrei.

O cantor em alguns momentos, fazia algo que parecia ter um phase na voz.

Mostrei e ninguém ouviu nada. Mostrei outras vezes até que o Sergio também percebeu..e assim foi sucessivamente, os outros músicos começaram a perceber também. O cantor ficou pasmo e disse não saber como tinha feito aquilo...foi aí que o Sergio disse a tal frase.

Portanto...quando um guitarrista (que perceba essas coisas, é claro) ou o músico que for, disser que esta ouvindo algo...não pense que ele é maluco...você é que pode ser meio...sei lá.. surdo.


domingo, 16 de fevereiro de 2014

Teste de Single-coils parte 4 de 34 a 44 from Guitar Magazine



4ª e última parte com os testes de captadores single-coil, que foram publicados em uma Guitar Magazine e postado por alguém, anos atrás no Orkut.



34- Lindy Fralin Real 54
35- Lindy Fralin Woodstock 69
36- Rio Grande Pickups - Bastard(n) - Fat Bastard(b)
37- Rio Grande Pickups - Muy Grande
38- Rio Grande Pickups - Vintage Tallboy
39- Schecter Monster Tone ST - Non Tap
40- Tom Anderson SD1(n)- SD2(b)
41- Van Zandt True Vintage
42- Van Zandt Vintage Plus
43- Voo Doo ST60's Black
44- Voo Doo ST70's

Ca com meus botões...


Música é como literatura. Quanto mais você lê, mais capacidade tem de separar um bom escritor de um mais ou menos ou de um medíocre.
Música é igualzinho...quanto mais você ouve....

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A MPB não é música pra instrumentistas.
Já repararam nos solos, quando tem solos?
A grande maioria, diria que 99% deles, repetem a melodia da música.

Outras vezes...solo de instrumento? Nada...olha lá o cantor/a fazendo lalaiá no lugar que poderia ser ocupado lindamente por um solo de verdade.... e não a repetição da melodia, que isso não é solo.

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Se eu não posso criar algo novo em uma música, se tenho que toca-la sempre da mesma forma, igual, nota por nota.... não tenho prazer nenhum nisso... não estou fazendo música...isso é fotografia..pior, xerox da fotografia.

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Tem músicas que depois de um tempo me enchem o saco, mesmo as achando o máximo.
Sabe piada que perdeu a graça? Meio isso.

Masss... tem algumas músicas que jamais sairão da minha cabeça, porque são obras de arte. exemplo.: Eleanor rigby, dos Beatles, Rebento, do Gilberto Gil, In Memory of Elizabeth Reed, do Allman Brothers, Bolero De Satã, de Guinga e Paulo Cesar Pinheiro, gravada pela Elis Regina e Cauby Peixoto, Pedaço de mim do Chico Buarque..... 

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Música independe de letra.

Uma boa música valoriza uma letra ruim, o inverso, via de regra, pois ninguém quer escutar música ruim, faz com que a letra nem seja notada.


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Você sabia que a grande maioria dos solos (principalmente de rock)...seja de improviso ou pronto, começam com uma nota longa e geralmente um blend? Repare!


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Quem disse isso e porque?

"O músico Brasileiro é o melhor músico do mundo"

Pelo que sei, o doido ou a doida que disse isso, vem da escola de músicos de noite e de bailes. E um monte de gente acreditou e acredita nisso.

A dedução com que chegaram a isso eu não sei, pois não tem lógica.
Em tempos antigos, muito antigos, até que se aprendia alguma coisa copiando os standards e alguns clássicos, mas o tempo passou e os músicos se viram obrigados a copiar uma lixarada de músicas feitas para dançar e não para servirem como estudo...as famosas paradas de sucessos. Logo, se quem fazia e tocava essas músicas eram músicos medianos, nenhum que eu saiba genial ou grande criador...você vai aprender com eles?...grandes coisas você não será.

Interessante também que idolatramos músicos em sua maioria americanos e ingleses...muito justo.

Óra, raios!! Mas se idolatramos os caras é porque eles são especiais e os melhores, certo? Então....cacete, não consigo entender essa frase!

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A convivência com os animais me humaniza

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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Malu Vianna - Vê se me esquece - Gravado ao vivo em 1985



Em memória a Malu Vianna.

Toquei com ela em um curto período de 1984/85. Esta música, "Vê se me esquece", de seu irmão Marcos Vianna que era também guitarrista em sua banda, foi gravada em um show que fizemos na Danceteria Metróplolis em São Conrado, Rio de Janeiro em 1985.

O texto sobre a carreira dela foi extraído do Blog de Manoel Leite.
No vídeo tem o endreço deste blog na net.

A banda na época era formada por:

Denis Bogerti, bateria. Chico Julian, baixo. Wilson Botelho, guitarra base. Eu, uma das guitarras solo e Marcos Vianna, a outra guitarra solo.

Usei neste show minha Strato 69, um pedal FX55 Distortion da DOD, plugado em um amp Fender Twin Reverber.

Gravação feita pelo engenheiro de som da casa.

Mais informações no vídeo.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Overdriver, distorção, fuzz.....



Overdrivers, distorções, fuzzes.... é o tipo de pedal que sempre estamos procurando aquele especial.
As opções são incontáveis, mas achar o que te agrada nem sempre é fácil.

Não tive tantos quanto gostaria de testar, mas ao menos sei dos que mesmo sem testar fico com um certo pé atrás.

Pedais que tem apenas 1 controle de tonalidade...esses sempre me decepcionaram...nunca fiquei satisfeito com o timbre final. Prefiro até que não tenha controle nenhum de tonalidade.

Não existe meio termo e você relaxa com o que consegue ou se desfaz do bicho.

Dos que tive, alguns poucos me agradaram.

Tive um Ibanez chamado Mostortion, que soava bem interessante com humbuckings. Apesar de eu não curtir esses captadores, usava em uma Tele de luthier que tive e com ela esse pedal falava muito bem.
O Mostortion não tinha muito ganho, mas tinha controles de grave, médio e agudo individuais e isso fazia muita diferença pra mim que cismo com timbre. Quando fiquei sem essa guitarra (que virou de cobaia para testes) me desfiz do pedal...com single coils não o achava grandes coisas.


DOD FX 55. Uma distorção leve, simples e clean...ganho e volume só.
Era um pedal engraçado...as vezes eu conseguia um som bom e outras vezes não. Reparei que tinha a ver com o nível de volume que eu  usasse. Com o amp alto ele falava bem, com pouco volume era difícil. No geral tinha pouco peso e saturação. O maior atrativo que eu via nele era a clareza e o brilho...mas é pouco pra ficar com um pedal. Agora pensando aqui, ele com humbuckings devia soar bacana...já era!


Rat...tem quem ame...quase perdi os cabelos tentando timbrar.
Tinha um knob de filtro que funcionava como tonalidade sem muita opção, como é de praxe nesses controles únicos. Se botava mais agudo, perdia os graves e vice-versa...sem contar que a sonoridade dele me lembrava timbres mais heavy, o que não era a minha praia. Foi-se!


Tube Screamer. Funcionou pra mim como um complemento. Se você usa pouca saturação, é muito bom.

No meu caso, gosto que o pedal tenha um nível de saturação extremo, mas que eu tenha o controle disso na minha mão...sendo mais claro, no controle de volume da guitarra e na dinâmica que eu queira dar com minha mão direita. Pedais cujo ganho você não tem como controlar no volume da guitarra...ou seja, a medida que você o abaixa, o nível de distorção não diminui, não me interessam..me desfaço rápido e sem pena.

Tive alguns da Boss..com os tais controles únicos de tonalidade...não deixaram saudade.
Não estou falando de qualidade, estou falando de características.

O Overdriver deles eu gostava...assim como também gostava do primeiro compressor..ambos tinham apenas 2 controles e nenhum de tonalidade. Depois lançaram com mais recursos...incluindo o tal de timbre e não gostei de nenhum dos dois.


A inglesa Colorsound tinha coisas boas. Um deles era o Overdriver. No talo sôa como um fuzz e tem um pré poderosíssimo. Em amps valvulados não gosto muito, mas em transistorizados fica o bicho...faz parecer que estamos em um valvulado e tem um corte sensacional..não sei exatamente como definir este corte que falo, mas é como defino sua sonoridade.
Foi meu primeiro pedal de driver decente.. tenho um até hoje e adoro.
O primeiro que tive, consegui na época do grupo Hidrante...1978.

De tanto trocar peças quando ele quebrava, vendo que a qualquer hora iria parar de funcionar, pois até as trilhas da placa do circuito impresso já estavam se soltando, mandei fazer uma cópia e ficou praticamente igual. Depois de anos de uso, trocas de transistores e etc...tanto um quanto o outro pifou de vez.

Tempos depois consegui uma re-edição dele... vinha com um potenciômetro de volume em sua lateral. Os primeiros não tinham esse volume...só driver, grave e agudo.

Senti diferença no timbre...(não por causa do pot de volume) os anteriores que tive soavam mais harmônicos e doces...esse novo mais seco e médio.

Tenho um amigo que me quebra galhos e manja de construção de pedais. Pedi pra ele me fazer outra cópia do primeiro Colorsound. Eu tinha o esquema, as peças e também os defuntos...o meu primeiro e a cópia que fiz dele.
Esse amigo fez o pedal e pude comparar os timbres. Acredite, a cópia ficou melhor que o novo, pois usava as mesmas peças do primeiro...e o primeiro como disse, soava mais bonito.

Detesto ficar pisando em pedal...um dos motivos de eu gostar tanto do Overdriver Colorsound, é que toco o tempo todo com ele ligado..controlo a distorção no volume da guitarra.. mas já ha um bom tempo, tenho usado a distorção dos próprios amps em que toco..usando o volume da guitarra da mesma forma que com o pedal..... e claro que levo o Colorsound também. Quando o amp é meu ou o conheço, fica de stand by as vezes, mas quando não conheço o amp...vai que a distorção dele é uma boa porcaria...

Luthiers........



É evidente que existem luthiers excelentes e que hoje, talvez não cometam erros...mas tenho absoluta certeza que já fizeram alguma ou muita besteira antes de ficarem bons.
Mesmo assim não coloco minha mão no fogo por nenhum. Tenho meus motivos e são mais que convincentes pra mim, pois quem se ferrou fui eu.

Fico muito tentado a expor o nome deles, mas deixa quieto...quem os conheceu na época e ler isto, saberá quem são...direi apenas, aproximadamente aonde eram suas oficinas...não lembro mesmo os nomes das ruas...e os chamarei pela primeira letra de seus nomes.

Caso 1: Luthier C

Levei minha Stratocaster 1969 no único luthier que conhecia no início dos anos 90 ou final dos 80. Hoje ele é muito conhecido e renomado...e realmente já vi (não toquei em um) belos instrumentos feitos por ele...se prestavam, se deram defeito posteriormente, não faço idéia.

Sua oficina era em um casarão velho, em uma rua não muito longe da praça Saens Peña na Tijuca, Rio de  Janeiro. Antes dessa casa, ele tinha uma oficina..se é que poderíamos chamar aquilo de oficina, em uma casa também na zona norte, só que do outro lado da linha de trem...não sei que bairro era aquele...talvez Rocha. E foi onde o conheci, atravez de um amigo baixista.

Levei a guitarra para trocar os trastos e o nut..queria experimentar um de metal. Falei com o cara a verdade...que só tinha aquela guitarra e precisava dela para trabalhar, logo, não poderia esperar muito pelo conserto. Ele deu um prazo e me garantiu que entregaria nele. Chegou o dia da entrega, fui pegar a guitarra...ele não tinha terminado e sequer estava trabalhando nela.

Aí foi aquela correria, desculpas esfarrapadas e garantiu que me entregaria em poucos dias. Nessa eu já estava me ferrando tendo que pedir guitarra emprestada a amigos.
Não gosto de pedir e ninguém gosta de emprestar seus instrumentos. E tem que ser assim mesmo. Não se empresta o instrumento de fé e de trabalho.

Chegou o dia e ainda faltava fazer o nut.
Aí pegou um velho que tinha lá já pronto e colocou. A corda sol ficou fazendo barulho de vibração...pegou um ferro de soldar e deu um pingo na ranhura por onde passa a corda..quebrou o galho e eu resolvi aceitar desse jeito mesmo, já muito irritado com aquilo tudo e querendo ir embora logo daquele lugar. 

Mas o pior eu não vi e só dei por mim a medida em que ia tocando.
A primeira e sexta corda escapavam do braço. Eu não entendia nada...antes a guitarra era perfeita...

Não pude voltar nele, o tempo foi passando e eu cada vez mais tendo dificuldade de tocar com a guitarra. O tempo passou e ficou por isso mesmo. Também se voltasse lá, que outro jeitinho ele daria?

Uns poucos anos depois conheci o luthier M, que fez uma Tele pra mim e levei a Strato para ele dar uma olhada. Pegou um gabarito de escala usado pela Fender, colocou na minha e descobriu o que havia acontecido.

O senhor C errou na lixada e mudou a curvatura da escala. Lixou demais nas bordas e as duas cordas escapavam.
Pior, lixou tanto que a deixou tão fina que não aceitaria outra lixada e novos trastos...só trocando a escala.

Tentei resolver arrumando sadlles menores e espremendo-os para o centro do braço...o que óbviamente não deu muito certo e a guitarra ficou cada vez mais difícil de ser tocada. Minha mão doía e frases mais rápidas era uma dificuldade pra fazer...a ponto de eu achar que o problema era eu.

Passei a desconfiar de todo e qualquer luthier e depois de um tempo comecei a usa-la só para slide...hoje nem isso... agora esta dentro de um armário guardada...até a coragem e o ânimo voltarem e eu a levar em algum outro pra trocar a escala.


Caso 2.: Luthier M.

Por volta de 1994 mandei fazer um modelo Telecaster.

Sua oficina era em uma casa que ficava próxima a rua Uruguai e a rua Maxwell...meio que na fronteira entre a Tijuca com o Andaraí..bairros da zona norte do Rio.

Paguei adiantado e me prometeu entregar em poucos meses...levou mais de um ano. Isso porque eu fiquei em cima reclamando.

Queria que a mão fosse igual das Stratos do final dos anos 60 e 70. O large headstock.
Não ficou igual, ficou deformado e não gostei, é claro. Aí ele cortou de novo fazendo o modelo antigo...que eu não gosto. Tive que engolir o sapo.

Eu queria o braço mais gordo.
Tanto fez, me falando dos novos shapes de braço que estavam usando e que segundo ele eram excelentes, que eu não iria me arrepender....que a contra gosto terminei aceitando. O braço não tinha absolutamente nada demais, não resolveu meu problema e mais uma vez tive que engolir..outro sapo.

Pra terminar com chave de ouro, errou algum cálculo..creio que na furação da ponte e o resultado foi:

1º- eu tinha que puxar os sadles, envieza-los no sentido dos bordões para as cordas ficarem no lugar certo e centradas no braço. O que também as fazia sair do centro dos polos dos captadores.

2º- por causa desse erro, a guitarra desafinava facilmente e a  afinação das oitavas no 12º trasto era uma batalha.

Como resolvi.
Deixei pra lá!

A usei um bom tempo assim mesmo e depois passei a usa-la também  apenas para slide... por fim virou instrumento de testes e hoje vive jogada aqui em um canto.

                                    
Caso 3.: 

Em 2011 montei uma Strato...já tinha um corpo em Ash e o braço importei pela net, via Stewart MacDonald. O braço me saiu por 300 e poucos reais com todas as taxas incluídas. Precisei apenas pedir a um amigo que não é luthier mas tem vários tipos de ferramentas e máquinas, para recortar a mão. Como gosto do large headstock da Fender, o desenhamos na madeira e ele cortou..ficou praticamente perfeito, mesmo sem termos o molde original.

Faltava o nut.

Estava morando em Sampa e a levei em um luthier...o cara faz trabalhos para gente conhecida e sua oficina é no Brooklin. Perdi o cartão dele, então não lembro seu nome mas ta tranquilo, só quero mostrar o erro e como o dele não foi grave...
....mas o caso é que errou 4 vezes...na última quando me dei conta do defeito, já estava longe de Sampa, capital.

Descobri uma vibração estranha...um zumbido quando eu tocava com ela desligada. Comecei a caça e descobri que o zumbido vinha do nut, exatamente na corda La. Vibra atrás do nut quando a toco solta.

Ta assim até hoje...como felizmente com ela ligada não percebo essa vibração, tudo certo...deixa assim por enquanto. Mas errar um nut 4 vezes....

Antes de importar o braço sondei preços com luthiers...a média foi 1000 reais...questionei isso comentando sobre os da Stewart McDonald e a resposta era a velha manjada..."ahh, mas nós fazemos exatamente como o cliente quer e os da S. MacDonald são feitos em série sem controle nenhum, a nossa madeira é... bla bla bla bla bla bla

O braço ta bonzão aqui e não tenho nada a reclamar...exceto pelo raio da espessura que gosto mais gordo, mas nada que me atrapalhe muito.
Ah sim... pra não fugir a regra, veio com um pequeno defeito. Um trasto estava levemente mal encaixado de um lado. Peguei um martelinho, coloquei um pedaço de couro por cima e dei 3 marteladinhas...resolvi!



Canja? Não...ok?




Nunca fui muito chegado a canjas, primeiro e principalmente porque não gosto de pedir instrumento emprestado.. geralmente nessas situações você não conhece o dono do instrumento e muito menos ele a você.. e porque também não gosto de emprestar o meu...assim como não conheço alguém que goste. Só quem já se aborreceu com isso sabe.

No caso de dar a canja...quando são jams livres tudo certo, mas normalmente é pra tocar alguma musiquinha xexelenta que você já não aguenta mais. Pro cantor aparecer é ótimo, pra você que será o figurante, aquela ladainha é um saco!

Tem uns caras por aí que adoram dar essas canjas e claro, ficam irritadíssimos quando negamos o instrumento. Mas vá pedir o instrumento dele para uma canja e veja se ele te empresta.

Alguns são tão cara de pau, que recusam ou ficam P... se você
não quiser emprestar seu instrumento de fé, mas um outro que esteja contigo.
Já aconteceu mais de uma vez comigo.

As vezes eu levava duas guitarras para tocar e usava ambas realmente, conforme a música. Só que uma era minha Fender 69 e a outra uma Telecaster feita por um luthier. A Fender com singles e a Tele com humbuckings...era evidente que eram instrumentos com sons diferentes e que se eu usava ambas (ou qualquer outro que fosse o dono) era porque prestavam...e quem ouvia a Tele elogiava, dizia que ela falava muito e o timbre era muito bom...essas coisas.

Então o bicão vinha me pedir, eu falava ok e dava a Tele, é claro!
Acredita que um distinto uma vez fez cara feia e ainda teve a petulãncia de falar...ahh, com essa não..quero a Fender.

Ficou sem a canja porque aí eu simplesmente ignorei o cara, não emprestei mais e que se dane.

Mas minha bronca maior com canjas é que já tive vários prejuizos.

Listando.
 
Minha primeira guitarra importada foi uma Gibson SG Standard 1973.
Linda, novinha, com aquele acabamento sensacional das Gibsons.
Era de uma cor marron acinzentada que nunca vi outra igual, sobre a madeira aparente.
Tava em uma festa dessas que rolam jams. Um lugar escuro cheio de malucos tocando e dançando. Em determinado momento, um cara que eu conhecia de nome e de vista e que tinha fama de que tocava bem, chamado Egídio ou Ernesto..não lembro mais...e que morava perto de mim no posto 6 em Copacabana...ou pelo menos vivia por lá...me pediu emprestado. Relutei um pouco mas baseado nesse histórico do cara, emprestei.

Tenho 99% de certeza que foi ou por maldade ou por inveja, pois naquela época nem todo mundo tinha uma guitarra importada.

Ele estava com um relógio daqueles cuja corrente é toda de metal...mas não em seu braço direito...enfim...emprestei a guitarra e fiquei curtindo a festa. Ele deu lá a canja dele, tocou algumas músicas e eu fui pedir a guita.
Nessa hora reparei que o tal relógio estava em sua mão direita, mas não fiquei pensando ou achando nada...jamais me passaria pela cabeça algo ...hoje já não agiria assim.

No final da festa quando fui limpar a guitarra pra guardar, notei algo diferente no corpo dela...exatamente na região onde fica nosso pulso e antebraço. Levei em um lugar mais iluminado e tinha um mapa de riscos no verniz..vi aquilo, me deu uma tristeza e raiva imensas mas tive que engolir o sapo...nem vi mais o cara na festa.


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Em 1986 estava ganhando uns trocados em Ubatuba tocando em um barzinho com um cara. Chegou um senhor e começou a me encher o saco pedindo para eu emprestar pro filho dele dar uma canja, que era um garoto novo e tocava bem, mas não tinha experiência nenhuma em tocar em público e bla bla bla.... Tanto insistiu que emprestei.

O garoto ficou lá solando e usando aquela técnica de bater com a palheta na corda, no braço da guitarra. Até aí tudo bem...nunca vi ninguém estragar um instrumento assim.
Deu a canja dele, me devolveu a guitarra, o pai agradeceu muito e sumiram.
Era o intervalo..na volta, no primeiro blend que dei na altura do final do braço, senti a corda prendendo e arranhando. Acabou a música e corri pra olhar...um dos trastos estava com uns 3 ou 4 riscos.

Depois conversando com meus amigos, a dedução que chegamos foi que o garoto deve ter batido com a palheta na corda, exatamente em cima do trasto e isso deve ter funcionado como um martelinho.

Pra eliminar aquilo, peguei uma lixa fina e alisei parcialmente os riscos.

Este foi o início da derrota da minha Fender. Ainda toquei um bom tempo com ela assim, até que resolvi levar em um luthier no Rio para trocar os trastos, pois lixar todos eles não ia mais prestar.
....e o bendito luthier.....uma óva..maldito luthier... fez seguramente a maior cag... de sua vida. Destruiu a escala da minha Fender.


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A Tele... mandei pintar de vermelha e ficou lindona! Estreei a guitarra no mesmo dia em um bar que estava tocando na Barra da Tijuca. Um amigo meu guitarrista que sempre ia lá, me pediu pra dar uma canja. Tranquilo...emprestei a guitarra.
Quando acabou a canja, vi que ele estava usando um cinto com aquelas fivelonas...antes não tinha notado isso.
Virei o corpo da guitarra e... todo arranhado...quase tive um treco.
Sei que não foi por maldade, mas será que ele teria o mesmo descuido com a guitarra dele?

E o prejuizo como sempre...meu!

Emprestar e me devolverem com cordas arrebentadas? Comum.

Por essas e outras, ha um bom tempo não empresto mais e que se dane quem ficar de cara feia.

Um adendo.:

Em um show meu no bar Let It Be, no ano de 1983, no final do show alguém me pediu uma canja para um amigo que tocava gaita. Eu fingia que tocava gaita em um blues. Na realidade usava a gaita pra afinar a guitarra e brincava nesse blues com metade dela..não sabia mesmo o que fazer com a outra metade da gaita...e não sei até hoje.

Então o cara subiu e lembro bem que se chamava Carlito. Perguntei o tom e ele me disse..Do
Tocamos em dó e ficou uma porcaria...ele não se entendia direito, é óbvio, pois a gaita era em dó mas o acompanhamento teria que ser em Sol...como ele disse Do..tocamos em Do.

Eu quando estou no palco, fico meio que absorvido por isso e não consigo pensar direito quando o assunto foge do que estou fazendo, ou tenho que fazer. Minha gaita também era em dó e eu sabia que a harmonia tinha que ser tocada em Sol. Na hora nem lembrei disso e também vendo que ele era gaitista, não me passou nada pela cabeça.

Esse show foi gravado toscamente com um gravador k7 e no outro dia em casa, ouvindo foi que atentei.

Putz...nós tinhamos que ter tocado em Sol pra dar certo.

Porque ele falou que era Do...será que não sabia que se a gaita é em Do, tocamos em sol, se é Mi, tocamos em Si... ?

Ficou esse mal estar como se eu tivesse tentado sacanear o cara, mas a verdade é esta e a fita k7, que ainda existe, prova isso. Ta la a banda tocando em Do.