domingo, 19 de janeiro de 2014

Slide guitar - Afinação aberta em Sol

Exemplo de afinação aberta em Sol (G) para ser usado com o slide.

Começando da 6ª corda para a primeira:

D G D G B D = G




Interpretação livre de Goin Down, de Don Nix.  

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

1984

1984 - Causos em Volta Redonda

Em 1984 fui morar em Volta Redonda, interior do Rio de Janeiro. Lá, entre outros, toquei em uma banda de baile chamada Cravo e Canela. Fazíamos muitos bailes pelas cidades das redondezas e do interior do Rio e de Minas. Em uma delas, um lugarejo que não lembro mais o nome e que também não sabíamos exatamente onde ficava e nos guiaríamos pra chegar com um mapa feito a mão, quase o bicho pega.

Atrasamos na saída e quando entramos na estradinha de terra que nos levaria ao lugar onde ia ter uma feira agropecuária, já estava escuro. A tal estrada era pelo meio de fazendas e confuso o caminho, daí que toda casinha que a gente via, tentavamos nos informar se era o caminho certo. A maioria das pessoas não sabia. E fomos nós.

Um furgão com a aparelhagem, instrumentos e metade da banda. Paulinho e Carlos Roberto, cantores, Bilau, tecladista e multi-instrumentista, Mauro, guitarrista e mais dois carregadores, se não me engano. 
E em um carro de passeio foram: João, gente muito boa, dono da aparelhagem, técnico de som, carregador, empresário, motorista.... Durval, baixista. Roberto, baterista e eu.
Em determinado momento, o carro do João (algo da Ford..acho que era um Corcel 2) começou a ratear..perder força. Paramos, olhamos e não descobrimos nada...já estava um breu dos diabos e não tínhamos lanterna.

Fomos assim mesmo, na esperança de achar algum lugar onde pudessemos dar uma olhada melhor no carro. Claro que não existia esse lugar naquele fim de mundo.
Em determinado momento, depois de outras paradas, vimos que não iríamos longe e nos separamos. O furgão iria na frente para o pessoal ir montando a aparelhagem, que incluia o PA e nós no anda e para, rezando pra chegar ou encontrar civilização.

Numa dessas paradas, cruzamos com uma pick-up que vinha em sentido oposto. O cara parou uns 10 metros da gente, com o farol alto na nossa cara. João foi até eles e explicou o que acontecia. A resposta que recebeu foi direta. Teu carro é Ford, o meu é Chevrolet...tira da frente que eu quero passar. João voltou até a gente e nos contou...era até compreensível. Na pick-up iam o motorista, uma mocinha que parecia ser sua filha e atrás na caçamba, um cara que parecia armado e com pinta de jagunço. Nós, 4 marmanjos...quem pararia ali pra ajudar?

Eles se foram e nós tivemos que ficar ali..onde passamos a noite cabreiros e preocupados com o resto da banda, sem saber se tinham chegado, se conseguiriam fazer o baile sem a gente...e do lado deles, a mesma coisa...chegaríamos, não chegaríamos...

Dormimos do jeito que deu dentro do carro e de manhã cedinho, descobrimos o que aconteceu. Uma mangueira tinha se soltado e nessa arrancou dois cabos de vela. João deu la o jeito dele (na realidade a mangueira estourou, me parece...não manjo grandes coisas de carros) e seguimos viagem.

Conseguimos chegar no lugar. Um vilarejo, uma vila...sei lá o que era aquilo. Tinham algumas casas, o galpão onde tocamos e alguns currais. Armaram umas tendas e eram os bares..bem rústico o treco. O resto da banda nos recebeu e contou como tinha sido a noite.
Chegaram tarde, estava cheio o lugar e com o povo já reclamando. Montaram tudo e tocaram do jeito que deu.

Nesses lugares o povo leva a sério os compromissos e quebram tudo se a outra parte não cumpre...incluindo as pessoas.

Fizeram um apanhado, Paulinho pegou no baixo..cada um se virou como sabia e bem ou mal, rolou o baile...que acabou cedo porque teve porrada entre o público. Eles foram ameaçados também...me parece que o baile não foi muito bom.

O dia foi passando, as pessoas circulavam pelo lugar e volta e meia cruzavamos com algum mal encarado querendo arrumar confusão conosco...ignorávamos, é claro. O segundo baile, acho que pela tensão que estava no lugar, não lembro se foi bom, ruim...mas parece que também teve bafafá no final ou no meio.

No dia seguinte, já com tudo guardado no furgão, como a fome era negra e não tinha nada para comer, fomos filar leite onde estavam ordenhando umas vacas. O guloso aqui bebeu uma caneca que devia ter quase um litro. 10 minutos depois eu já estava daquele jeito e muito agradecido por ter banheiro no lugar.

Fomos embora. No primeiro posto de gasolina que encontramos, tinha também um restaurante. Entrei correndo e gritando...onde é o banheiro, onde é o banheiro..

Seguimos viagem e se não me engano, pois não lembro de nada com precisão, paramos em Além Paraíba para consertar o carro. Tivemos que passar o dia lá e eu virei cliente do banheiro da rodoviária. Era pago, mas o cara que tomava conta viu meu drama e me deu passe livre para sempre que precisasse... de 15 em 15 minutos eu ia visita-lo. Chegamos de noite em Volta Redonda.




Em uma outra viagem, fomos tocar em um lugar..remoto também..e cuja estrada de terra era cheia de precipícios. Se eu durmo, não estaria aqui pra contar. Tocamos, foi tudo certo, desmontamos tudo e carregamos no ônibus.
O João também tinha um ônibus e geralmente íamos nele.
O dia começou a raiar e fomos embora. Todo mundo apagou menos eu, pois tenho dificuldade de dormir sentado.
Deitado eu apago lindamente.

Sentei naqueles bancos sozinhos na frente e fomos. Em determinado momento, reparei que o ônibus parecia querer sair da estrada. Olhei pro João e ele estava lá..impassível dirigindo. Alguns minutos depois, a mesma coisa...e era só pirambeira. Olhei de novo pro João...ele com os olhos abertos e o ônibus querendo subir no relevo de terra da beira da estrada...e de lá seria o abismo. Falei com ele e não me respondeu..aí me toquei...ele estava dormindo de olhos abertos...puro cansaço. O acordei e a todo mundo. "Galera, o João ta dormindo de olho aberto...ninguém mais dorme nessa p...."

Chegamos sãos e salvos.

  


Essa é vergonhosa mas não deixa de ser engraçada.
Fomos tocar, pra variar em mais uma cidadezinha no fim do mundo. Um lugarejo no topo de uma espécie de vale. Pra chegar lá também era sinistro. Infelizmente não lembro do nome da maioria dos lugares...mas enfim. Fizemos o baile e me engracei com uma mocinha da região. Quando o baile acabou, saí e a encontrei do lado de fora..estava na porta do lugar e ali ficamos conversando.

Derrepente, na nossa frente estourou uma briga generalizada. Entrei rapidinho, fechei a porta e fui falar com o resto da banda o que estava acontecendo....aí lembrei... "cacete...deixei a garota do lado de fora". Corri e achei a coitadinha apavorada, colada na porta feito uma lagartixa...e a pancadaria continuava comendo na rua. Puxei ela pra dentro, fiz cara de paisagem... que desculpa eu ia dar?
Não ganhei nem um beijinho que fosse.




Essa banda de Volta Redonda tinha bons músicos e um deles, Bilau, o tecladista..já falecido.. era também multi-instrumentista. Ele tinha uma Fender Strato de 1968 que eu babava. Eu tinha uma 69 e pude comparar. Eram instrumentos bem diferentes. Gostei mais da 68..tinha o som mais gordo..as 69 são mais clean e brilhantes...o braço também era mais gostoso. Gosto de um braço mais gordo e o dela era assim.
Ele não dava bola pra guitarra, até porque não tocava mais e tenho certeza que se eu lhe oferecesse em troca alguma Ibanez.. na época as Ibanez estavam em alta... ele trocaria comigo.

Eu tinha descascado a minha strato toda..ela estava soltando a tinta e eu achava feio, porque não ficava a madeira aparecendo e sim uma camada de massa que tinha por baixo da pintura. Então como eu queria pinta-la de novo, me falaram de um luthier que tinha por lá. Levei a guitarra e o cara pintou de preto..como eu queria.

A strato 68 estava sem pintura...na madeira..eu achava linda, mas o Bilau não. Aí quando ele viu a minha pintada, resolveu mandar a dele também.
Mandou pintar de azul metalico..tava na moda...detestei.

Mas o pior aconteceu. A anta do luthier, não sei porque cargas d'água, pintou também a mão da guitarra. Quer dizer, apagou o nome da guitarra e uma das provas de que se tratava de um modelo de 1968, pois os logos são diferentes e também se reconhece por eles o ano de uma Fender. Um entendido de guitarras vintage, acredito que não se baseie só nisso e se levassemos a guitarra nele, comprovaria que era um modelo de 1968, independente da mão estar pintada e os logos não aparecerem mais.

Esse luthier, depois fiquei sabendo de coisas esquisitas sobre ele.
Tipo... fazia cópias exatas de pedais da Boss em madeira, ia nas lojas e trocava por pedais de verdade quando os vendedores davam mole. Tinha fama de ladrão.

Da minha Strato ele não roubou nada, pois só levei o corpo para ele pintar...e na parte interna do corpo, em uma das cavidades tinha uma espécie de falha que seria muito difícil copiar e até perceber. Eu sabia porque fiquei procurando coisas nele que o identificassem, antes de levar pro cara...e claro, fiz umas marquinhas a mais por segurança.

A Strato 68, correu sérios riscos, pois ela foi completa para o cara pintar. Apesar de eu não crer que ele tenha roubado nada, pois me lembro que toquei nela depois e não senti diferença no som e nem no visual dos captadores, as tarrachas eram as mesmas... enfim.

Tenho péssimas histórias pessoais com luthier..não exatamente de roubo, mas de serviços mal feitos e estragos terríveis. 

Agora a parte mais triste. Alguns anos atrás quando fiquei sabendo que o Bilau faleceu, ficamos relembrando coisas e perguntei sobre a Strato dele...tinha sido roubada.


Mais ou menos no final de 84, voltei pro Rio e comecei a tocar com a Malu Vianna (já falecida) e com o grupo THC...grupo de hard rock progressivo e que gravou o tema do primeiro Rock In Rio...histórias pra mais adiante.




Que me lembre, o último compromisso que tive com o Cravo e Canela, foi fazer os bailes de carnaval de 1985.

Acrescentamos dois percussionistas...não tenho lembrança se colocamos sopros, e o resto era a galera da banda. Nos ensaios vimos que ninguém sabia praticamente nenhuma música de carnaval e como o tempo era curto, montamos os sets com músicas que tocávamos regularmente nos bailes.

O que rolava na época era Barão Vermelho, Kid Abelha, Paralamas...o rock brazuca. E foi o que tocamos, só que tudo em rítmo de carnaval e cheios de solos de improviso na guitarra, pra encher linguiça e o tempo render.
Ninguém fazia isso e foi um sucesso.

Os bailes foram em uma cidade chamada Santa Rita de Jacutinga e era famosa na região, acho que porque tinham cachoeiras...sei lá..não lembro.

Pra nosso azar, o clube em que tocamos era o da elite da cidade. Cheio de gente fresca e ficava bem vazio. As matines eram gratuitas e aí sim o clube enchia.

O clube do povão bombava e pessoas que iam lá e apareciam nas nossas matinês, ficavam amarradonas na gente e diziam que nós é que tinhamos que estar tocando lá. Diziam que a banda era ruim, e que nós eramos bons, divertidos e diferentes.

Pra não morrer de tédio nos nossos bailes, enchíamos a cara e ficavamos zoando as pessoas e nós mesmo. Paulinho, um dos cantores, (já falecido também) era um gozador e ficava comparando pessoas com gente conhecida e também colocando apelidos, conforme a vítima... e a gente tocava morrendo de rir.
Foi uma pedreira dos infernos e depois desse...carnaval, nunca mais. Banda de baile também...não mais.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Achando a guitarra certa

Nunca entendi direito esses caras que vivem trocando de guitarra.
No meu entender, quando você vai comprar uma, já esta definido em sua cabeça o que você espera do instrumento. Você além gostar do modelo, sabe mais ou menos como é o timbre dela e já deve ter tocado em alguma e gostado de uma forma geral. Ok que só conhecemos realmente um instrumento, um amplificador... depois de um tempo de uso, mas se você antes de comprar um determinado modelo o testou antes, deve ter atentado para os detalhes mais óbvios.

Se o braço é confortável, se a espessura do mesmo é o que te agrada. O som dela é o que você procura realmente? Esta tudo certo com o instrumento?

Comprar só pelo nome, por indicação de alguém.... o que é bom para um, pode não ser bom para outro.
Vá nas lojas e teste a guitarra que você quer. Teste quantas achar pela frente e que sejam do mesmo modelo que você quer. Viu que é isso mesmo, tocou em uma que realmente gostou...é essa, compra.

Mesmo assim, saiba que com o uso pode ser que você chegue a conclusão que a guitarra toda é o máximo, mas não curte o timbre de um dos captadores, ou a ponte não te agrada, ou as tarrachas não são muito boas... eu trocaria a peça que me incomoda.

Se a conclusão é que o braço não é tão bom quanto você achou que era..é complicado. Se você já tiver outro braço, tudo certo..comprar ou mandar fazer um novo...

Quando você tem ou acha uma boa guitarra, uma guitarra que casa contigo, gostosa de tocar...você gosta de tudo nela, ou praticamente tudo. Se puder, não se desfaça dela.

Guitarra Slide

O que é uma guitarra slide?

A guitarra em si não tem nada de especial, a única real alteração é que você precisa deixar as cordas um pouco mais altas.
O difícil é tocar com um tubo no dedo..e só com isso.

Você deve fazer uma leve pressão nas cordas com o slide...ele não pode afundar a ponto de chegar perto dos trastos, nem pode ficar só levemente encostado nas cordas. Tem a pressão certa e você descobre isso rápido.

Parar nos lugares exatos... é atenção o tempo todo. O slide tem que parar exatamente sobre o trasto. Um pouco antes ou depois e você fica desafinado em relação aos outros instrumentos.


Você vê que o slide é um lance muito doido de se tocar, quando quer fazer coisas rápidas com ele, como se tivesse dedos.

É sinistro. Tente uma frase longa usando várias cordas..use a afinação standard.
Usando uma corda só você ficara maluco.

Uma escala, por exemplo. Tente fazer com o slide, como você faz com os dedos...rápido... é quase (vai que tem algum maluco por aí que consegue) humanamente impossível tocar rápido e afinado, tudo certinho, sem sujeiras, fazendo os mesmos caminhos que os dedos percorrem em uma escala, mas com o slide.
Devagar ou mais ou menos rápido eu consigo e ainda faço firula. Rápido mesmo.. arrisco pouco.

Da pra fazer umas coisas que parecem rápidas usando a combinação com as cordas soltas...ta na linguagem do slide e sempre sôa legal. Brinco bastante com isso ao longo do braço.

Outra coisa interessante é você ouvir as variações que existem em cada milimetro, entre uma nota e outra. As comas. Por isso é tão importante a posição do slide exatamente sobre os trastos. Um tico pra frente ou pra trás e você esta desafinado.


Veja mais sobre slide aqui http://portalfernandomedeiros.blogspot.com.br/2014/01/slide-guitar.html

domingo, 12 de janeiro de 2014

Fender x Gibson

Fender x Gibson

Já li e ouvi inúmeras besteiras sobre essas duas marcas de guitarras, tão definitivas para o instrumento.
Instrumentos completamente diferentes e que se completam.

Existe a melhor? Não. Toda e qualquer opinião sobre isso é motivada pelo gosto pessoal de cada um. O papo de que uma é mais para blues, outra para rock, heavy...ou o som que seja, são mais convenções e lenda. Sim, um humbucking soará "melhor" para um som pesado..mas nada impede de criarmos outro timbre pesado, usando um single coil, ou sei lá o que... só depende da criatividade do músico.

É sempre assim...até a hora que aparece alguém contrariando essas máximas, com algo totalmente diferente do "estilo", com um senhor timbre e fazendo um belo som, e logo os seguidores e admiradores aparecem elogiando e falando que o cara e o que ele usa é o máximo.  

Voltando a essas duas marcas, basicamente o que eu não gosto na Gibson é o corpo não anatômico e os ângulos retos em suas bordas, que são desconfortáveis. Mas o maior problema que tenho com elas é em relação ao meu timbre.
Definitivamente humbuckings não são a minha praia e como já testei inúmeros single-coils em mogno e nenhum deles me agradou, incluindo single P90 da Gibson, esta madeira também não me interessa. Para não ser totalmente injusto, já consegui um timbre que me agradou, na Telecaster em mogno que tive em que usei um humbucking Seymour Duncan (era um modelo para jazz) junto com um Gibson 57, dos anos 70.

A combinação dos dois, me dava um timbre perfeito para o que eu estava fazendo na época.
Tocava em uma banda de country rock e usava basicamente slide. A combinação desses dois humbuckings me dava um timbre que lembrava um Pedal Steel, e claro, eu tentava reforçar isso com os controles de tonalidade. Para meu azar, o Seymour Duncan morreu. Ele simplesmente parou de funcionar e técnico nenhum descobriu o motivo.

Tocávamos muito em um bar chamado General Lee, que ficava em Cabo Frio na região dos lagos, no Rio de Janeiro e lá fazia um calor infernal. Em uma noite eu praticamente derreti em cima da guitarra e ela literalmente tomou banho de suor. Nesta mesma noite, este humbucking ficou estranho e eu tive que usar outra guitarra. Na noite seguinte ele funcionou normalmente e não pensei mais no assunto. Dias depois, em casa, fui ligar a guitarra e som nenhum saiu dele...estava morto.

Levei em pessoas que mexiam com captadores e nenhuma delas conseguiu desvendar o mistério. A explicação que tenho, é que ou arrebentou algum fio da bobina em seu interior, ou o suor que entrou nele oxidou algo lá por dentro ...era daqueles humbuckings onde as bobinas ficam expostas. Como o Gibson tinha a capa de metal, com ele não rolou nada. Tentei dois outros humbuckings mas não consegui mais o timbre que me agradava e como parei de tocar country, não vi mais necessidade de procurar ou comprar outro Seymour Duncan do modelo que se foi..enfim..de investir nisso. Troquei o Gibson 57 por um Gibson P90 com um amigo e a Tele virou instrumento de testes, como mencionei anteriormente.

Fora esses meus poréns, a Gibson é um instrumento maravilhoso, que tem um braço fácil e delicioso de se tocar, um acabamento fora de série, e é claro que eu gostaria de ter vários modelos, nem que fosse apenas para ficar adimirando-as. Para não dizer que sou completamente arredio as Gibsons por causa dos humbuckings, existem as Firebird que tem uma sonoridade digamos, mais Fender, o que acredito seja cortesia dos mini humbuckings que elas usam..além de eu gostar muito do visual delas.

E as Fender? Eu gosto de tudo na Fender Stratocaster.  A Strato para o meu som, meu conforto e sem contar que continuo achando a guitarra mais bonita e perfeita (pelo todo) já inventada, é meu Edem...não preciso de outra..a não ser outras Stratocasters.

Palhetas e duos de guitarra

Palheta

Palhetas...sim, elas também atuam no timbre. Uso as médias e pra mim esta ok. O material usado também influencia e mais uma vez é questão de gosto. Particularmente não gosto do timbre das feitas em nylon, assim como não gosto da textura delas. As palhetas que mais gostei, me parece que a Fender não fabrica mais ou pelo menos eu nunca mais as encontrei nas lojas. Nos anos 80 eles usaram um plástico que lembrava neon e tinham cores vibrantes como as da época. Rosa choque, verde limão, vermelho alaranjado... eram perfeitas no timbre, pegada e na durabilidade. Fora essas, as tradicionais tartarugas da Fender e algumas outras de plástico servem. O formato da palheta, novamente é questão de gosto e adaptação e não existe o melhor.

Existe uma gama de sonoridades e variações de timbre na região do corpo da guitarra, na área que nossa mão direita (ou a mão que estiver usando a palheta) fica posicionada. Da ponte ao início do braço, temos pequenas variações de côres. Se formos palhetando alguma corda ao longo dessa região, percebemos que seu som, timbre, corpo..vai alterando. Perto da ponte ele é mais magro, agudo, frágil.. e podemos brincar com isso, caso a gente queira dar um colorido diferente no solo. Atente sempre para sutilezas.

 Maneiras de se atacar as cordas, variações de ãngulo da palheta em relação a corda, palhetadas mais pesadas ou mais leves, o que tem a ver também com a interpretação que você queira dar...ou seja..dinâmica.. ligação direta com o uso que você souber fazer da palheta. 


Uma banda que se destacava em relação a timbragens e sutilezas e que seus guitarristas usavam bastante este(s) recurso(s) da palheta, era o Wishbone Ash. Andy Powell e Ted Turner eram mestres em extrair os mais belos timbres possíveis de suas guitarras. Guitarras essas que não tinham nada de diferente de qualquer outra...a diferença era quem tocava nelas. Ouçam o primeiro disco ao vivo deles de 1973, chamado Live Dates. A riqueza de timbres e técnicas para se conseguir extraí-los, estão por ali.

Claro que nisso entra também a timbragem do amp e as vezes o recurso de algum pedal, mas basicamente, os guitarristas da época não tinham muitas opções além da guitarra, do amplificador, bom gosto, talento e idéias.

Outro bom exemplo que posso dar, é com o falecido e um dos grandes e influente guitarrista da história do rock, Rory Gallagher. O tema "Messin with the kid" de seu álbum Live In Europe, é um bom exemplo disso.
Jeff Beck é outro que também usava muito esses recursos de palheta.

Bandas com duos de guitarras sempre me fascinaram e entre as que conheço, o Wishbone Ash se supera nesses quesitos e timbragens. Existem muitas bandas com dois e até 3 guitarristas, que chega a ser um desperdício de criatividade...ao contrário do Wishbone e algumas outras como o Man, uma banda que tinha um som super interessante, algo como um Rock Progressivo Psicodélico de garagem. Eles também eram ricos em timbres e gostavam de brincar com delays, por exemplo. Nessas bandas, as guitarras realmente teciam e não ficavam ambas fazendo a mesma coisa, como já vi muitas outras com esta formação fazerem. Normalmente são bandas ligadas mais ao rock tradicional, cujo tipo de som não pede muitas variações e mesmo quando tem, giram em torno de um mesmo universo...mas acredito que poderiam ser mais criativas.

O Allman Brothers com Duanne Allman e Dick Betts, criou escola com seus slides, timbres, longas jams e fez inúmeros seguidores, mais ou menos influenciados por eles. King Crimson com Robert Fripp e Adrian Belew também são bons exemplos de timbres e efeitos inusitados e também duas guitarras fortes, cada uma fazendo suas partes, uma diferente da outra. O Doobie Brothers também se destacava, muito em função de seu guitarrista Pat Simmons que junto a Tom Johnston, criavam boas texturas. Streetwalkers, principalmente por um de seus guitarristas, John Charlie Whitney,  com excelentes linhas de harmonia, conversando com a também boa guitarra de Bob Tench...o outro guitarrista do Streetwalkers.


A importância da guitarra base. lembre-se que guitarra não é só solo e tirando música instrumental, o trabalho dela é basicamente calcado na base.

O Grand Funk Railroad, por exemplo, no quesito guitarra não se destacava nos solos ou por ter um guitarrista genial, mas Mark Farner, entre outras qualidades como, cantor e compositor..além de homem de frente... era um excelente guitarra base, sabia usar muito bem o wha-wha e tinha um timbre personalíssimo.

Slide guitar


Sempre brinquei com o slide, mas com dedicação e estudo sério, só a partir dos anos 90. Na época, a única afinação alternativa que usava era a de Sol(G) aberto. Estava começando a compor músicas específicas com slide e me sentia limitado, pois vinham idéias e não conseguia desenvolve-las apenas com esta afinação, sem contar que as músicas que eu fazia, terminavam ficando todas parecidas e dentro de um mesmo estilo blues rock e eu estava querendo compor coisas menos óbvias, pensando em acordes não muito convencionais, em tons menores e em outros estilos.

Comecei a procurar por outras afinações em revistas mas a maioria variava apenas o tom, então resolvi tentar criar alguma a partir das que já sabia ou "totalmente nova". Imaginava uma sonoridade, um acorde e ia alterando para chegar neles. A coisa estava indo e eu ficando cada vez mais envolvido. Li em uma Guitar Player americana, uma matéria com o guitarrista Sonny Landreth e consegui um cd dele ..South Of I-10..se não me engano. Foi um grande impulso. Primeiro porque vi que estava no caminho certo e segundo porque também me ajudou a continuar pensando em slide de uma forma não tão convencional, apesar de para minha surpresa, Sonny usar uma dessas afinações convencionais.

O grande diferencial é que ele também usava os outros dedos posicionados atras do slide, para solos e harmonias, o que lhe dava outras opções e sons. Achei muito difícil fazer aquilo e também imaginei que para soar bem como ele fazia, a altura das cordas deveria ser muita e nem comecei a pesquisar. Antes de Sonny, eu já havia me encantado pelo estilo do guitarrista Lowell George (Little Feat) e gostava de alguns outros como Matt Andes (JoJo Gunne) e Mick Jacques do Curved Air.

Uma coisa é certa sobre Sonny Landreth. Podemos classificar o slide como antes e depois dele. Ninguém toca slide como ele. Diferentes existem alguns, mas não conheço ninguém com um estilo tão pessoal e inovador quanto o dele.

As pessoas que se interessam por slide, costumam gostar da minha onda e me fazem perguntas, principalmente sobre a parte técnica da coisa. As perguntas mais frequentes são as que vou listar agora e percebo que são pessoas querendo iniciar nesta praia, pois quem já toca slide não costuma ter estes tipos de dúvidas. 



A guitarra

Você não precisa ter uma guitarra só para essa técnica, a não ser que você use afinações alternativas, além da convencional, pois não da pra ficar mudando de afinação em cima do palco ou entre cada música em um ensaio, sem que a platéia ou os outros músicos encham o saco disso e queiram te matar. Sem contar que é chato mesmo, você vai terminar ficando com as cordas instáveis em termos de afinação, perigando até em dar alguma empenada no braço, também corre o risco de alguma corda arrebentar...enfim... se você usa várias afinações, é aconselhável arrumar mais guitarras.

Aprenda também a usar o slide na afinação normal. Com ela, pense no braço da guitarra como se não estivesse tocando com o slide..ou seja...os caminhos serão os mesmos da guitarra sem o slide, a diferença é que você estara usando apenas um dedo para percorrê-los. Tem guitarristas que usam apenas a primeira corda alterada. Descem o mi(1ª) para re, o que a faz soar como se fosse um Open G = afinação de sol aberta. É um recurso. Eu uso a afinação normal (standard) e as alternativas em composições específicas.


A guitarra precisa ser preparada para se usar o slide?
De certa forma sim, se você usa a ação das cordas muito baixa. Slide e trastos não combinam, a não ser, quando você utiliza os trastos para tirar sons e efeitos com o Slide. Alguns caras como o Derek Trucks, (Allman Brothers) fazem isso.


A que altura colocar as cordas?
Se você tem apenas uma guitarra e é com ela que tocará com e sem slide, deixe as cordas no 12º trasto com uns 2 milimetros de altura em relação ao trasto e será suficiente. Você ganha também em volume e sustain (tanto para o uso com o slide, como para o uso normal) pois o trastejamento, se houver, praticamente desaparece. Mas se nem assim ele desaparecer, o braço de sua guitarra deve estar empenado.

Aonde levantar essas cordas?
Na ponte.
Em guitarras como as Fender, você precisará subir cada carrinho (saddle) da ponte individualmente. lembre-se que a escala da Fender tem uma curvatura específica...respeite-a. Os carrinhos também seguem essa curva suavemente.
Na Gibson, normalmente você levanta a ponte inteira e não precisa mexer nos carrinhos, exceto se as cordas estiverem desafinadas no 12º  trasto em relação as cordas soltas. Isso serve para qualquer guitarra, é um pouco mais complicado de se regular e não tem a ver com altura das cordas nem com slide. Complicado mas não impossível. Não tenha medo de fuçar seu instrumento, mas antes procure informação de como o fazer. Hoje com a internet, é fácil de se conseguir respostas, dicas passo a passo...


Pontes no estilo Floyd Rose não são uma boa para se usar com slide, por elas serem muito sensíveis ao toque.


Vibrato - a mágica

O grande lance do slide é o vibrato. Teoricamente, se você tiver o domínio desta técnica, é porque você já esta bem inteirado com o uso do slide...mas não é regra. Você pode tocar bem slide e ter um vibrato ruim.

O que é um vibrato bom?
Imagine uma gelatina balançando em câmera lenta. É esse o princípio.

Parece fácil, né? Não se iluda, ter um vibrato flutuante e não uma tremedeira na mão, é mais difícil do que parece.
Existem guitarristas que tem um vibrato horroroso e acho que nem percebem isso. Tenso, nervoso, trêmulo.. Felizmente temos mais exemplos de guitarristas que sabem fazer isto bem, do que mal. Lowell George, Ry Cooder, Sonny Landreth..... ouça-os, entre tantos outros. Posso citar algum que tenha o vibrato ruim a título de comparação, mas para evitar polêmica, pois fãns acham tudo perfeito de seus ídolos, escutemos os que fazem certo e soam bonito.

Qual exercício para isso?
Tentar, tentar e tentar, tendo em mente que o vibrato não deve soar nervoso, tenso, e principalmente desafinado..pois o resultado será feio e mal feito. Não existe a direção correta para começar o vibrato, mas já reparei que comigo ele flui melhor se começo no sentido do corpo da guitarra. O vai e vem do slide deve ser constante em sua velocidade e quanto mais relaxado, mais dinâmico e bonito ele soará. Repare que com um bom vibrato de slide, você também pode segurar as notas por um longo tempo, só fazendo esta técnica.

Cada detalhe é importante para se conseguir um bom vibrato. Atente também para a posição do seu polegar na parte traseira do braço. Ele é o pivô e também o que te orienta em relação ao centro dos trastos. Ache a posição que te deixe a mão mais solta e sem tensão. Pode ser que seja no meio do braço, ou mais acima, próximo a borda... alguns caras o usam não nas costas do braço, mas o apoiam na parte lateral de baixo do braço, deixando a mão praticamente solta. Lowell George e Peter Haycock (ex Climax Blues Band) entre outros, faziam assim.   



Abafando as cordas

Para abafar as cordas, impedir que outras soem juntas da que você esta tocando e também evitar o barulho que o slide produz com a fricção, podemos fazer o seguinte.
A melhor forma de se usar o slide é com os dedos. Claro que você pode usar a palheta, mas as mãos te dão mais opções e recursos.
Você pode abafar ou anular cordas que não queira que soem, com os dedos de sua mão direita.
Por exemplo: Digamos que você esta tocando uma determinada parte da música e queira que apenas a corda Sol sôe, mas a Re e a Si, indesejavelmente estão sujando esse Sol, mesmo você não as tocando. Com o polegar (mão direita no caso da pessoa destra) você abafa a ré e com o dedo médio, você abafa a si...o indicador tocará a sol. Isso parece ser difícil, mas é questão de prática e os dedos a serem usados, você os escolherá conforme a facilidade com que consiga fazer isso ou o que esteja fazendo na hora.


No braço da guitarra:
Se te incomoda a ponto de você querer ocultar isso, para evitar o barulho que o slide faz quando arrasta no braço, uma forma é usar o seu dedo indicador (mão esquerda) levemente encostado nas cordas... uma vez que o slide estará no seu dedo mindinho ou anular, isso não afetara a sonoridade. Essa técnica é meio chata pois até você ter o domínio dela, terá uma sensação de pouca mobilidade para o slide. 


Em que dedo usar o slide?
Não existe regra. Eu prefiro no mindinho pois já acostumei a fazer acordes normais com o slide neste dedo, mas nada impede que usemos o slide em outro dedo e fiquemos mais confortáveis dessa forma.


Que slide usar?
Questão de gosto também. Cada um tem uma sonoridade específica e com a prática e o apuro do seu ouvido, você vai perceber. O que mais gosto pela soma do driver e clareza, é o de metal. O de bronze também tem um bom driver...mais até que o de metal. O de vidro me soa mais clean e limpo. Existem de outros materiais como porcelana, mas nunca usei e não posso opinar. Uso muito um feito por mim, de baquelite. Ele não tem muito drive, mas por produzir pouco atrito no braço, terminei acostumando e gostando.


A espessura do slide faz muita diferença. Quanto mais grosso, mais encorpado seu som. O problema é que pelo seu peso, pode haver algum desconforto e até uma tendinite você pode ganhar de presente. Portanto, moderação nesse quesito.


Existem slides de vários tamanhos. O normalmente usado toma o dedo todo do guitarrista, mas outra vez é questão de gosto e até adaptação...nada impede de você usar um pequeno e tirar um bom som com ele. Técnica você inventa e técnicas existem para facilitar a nossa vida.


Que pedais usar com o slide.

Podemos usar qualquer pedal, mas os mais usados são os compressores (o Dyna Comp é uma boa aquisição) e pedais de distorção, overdriver, booster...ou a saturação do próprio amplificador. Com um wha-wha também da para brincar bastante. Tem quem prefira usar apenas a guitarra limpa, sem sequer a saturação do amplificador...

Minha opinião sobre pedais, é que tenho minhas dúvidas se precisamos de tantos. Já vi sets monstruosos e na hora do vamos ver, um som firinfinfin saiu do amp. Já vi outros no mesmo nível de quantidade, e na hora H, o som que saiu não tinha nada que uma guitarra e um amp com uma boa timbragem não fizesse. Se você usa efeitos diferentes, sonoridades menos comuns...digamos que você goste do Adrian Belew (como eu), sons inusitados... aí você realmente precisará de alguns pedais extra ou racks. Mas se teu som é mais básico...guitarra, dist/overdriver, delay, wha-wha... menos é mais...é só saber como fazer.