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quarta-feira, 26 de março de 2014

Wishbone Ash - Live Dates - 1973


Wishbone Ash - Live Dates - 1973

Ouvi esse disco na época de seu lançamento..importado, pois não saiu aqui. Virou um hit entre a banda que eu tocava.

Minha primeira reação foi com o timbre das guitarras do Andy Powell e Ted Turner. Nunca tinha escutado tantos e tão bonitos. Me chamou também a atenção as linhas melódicas de ambas e o bom gosto.

As composições eu curti também, só achei levemente enjoadas talvez por serem muito docinhas...uma característica das músicas deles..essa certa doçura. Com o tempo acostumei.

Não tive músicas prediletas pois todas tinham algo de bacana, principalmente das guitarras e me encantava aquela sonoridade e as sutilezas que eles conseguiam. Gostava também dos solos em duas vozes, das harmonias simples mas que soavam lindas e inteligentes e claro, de como eles usavam as guitarras, fazendo coisas diferentes uma da outra.

Tem bandas que tem duas, três guitarras e não se percebe isso..com eles não tem como não perceber.

O disco abre com a guitarra do Andy Powell em "The King Will Come".
Não gosto de humbuckings, mas Andy consegue tantos timbres com eles, que nem parece estar usando esses captadores.
Logo depois da as caras Ted Turner com sua Stratocaster e pedal wha-wha, também com um timbre sensacional.

As vezes Ted também usava uma Les Paul Custon, mas basicamente era com Fender Strato que ele tocava, assim como Andy que usava quase que 100% do tempo suas Gibson Flying V.

Talvez muito dos timbres que conseguiam estivessem ligados aos amplificadores Orange que eles usavam, mas tudo me leva a crer que o bom gosto, domínio de técnicas, conhecimento de causa, visão, experiência de ambos... tinham mais importância que o amp...até porque também já vi fotos com eles usando outros amplificadores no lugar dos Orange.

E seguem mais 10 músicas onde essa cachoeira de belos timbres continua.

Se você curte guitarras harmoniosas e cheias de personalidade, eis um disco onde o bom gosto reina e belos timbres são apresentados o tempo todo. Timbres que você pode procurar, mas não vai achar iguais em outras bandas.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Começando a tocar - 2

Todo mundo que quer tocar guitarra, tem sempre uma primeira preocupação. Aprender a solar.

Acho que comigo também não foi diferente e um dos caminhos inevitáveis para aprender, é ouvindo discos que tenham grandes guitarristas.
 
Não lembro exatamente de todos, mas pelo menos 3 discos foram decisivos para mim. Curiosamente os 3 foram gravados ao vivo.

O primeiro, que já citei aqui em algum post, foi o do Rory Gallagher.
Considero até hoje minha aula mais importante, seu solo em "Messin with the kid" do disco "Live In Europe", que ouvi fresquinho na época de seu lançamento.

O segundo, o considero também uma aula de timbres, sutilezas, belezas e bom gosto. O ouvi também na época de seu lançamento, fresquinho, cheirando a novo. Wishbone Ash "Live Dates"..o primeiro Live Dates da série.

O terceiro, já tinha sido lançado mas me chapou e me clareou os ouvidos da mesma forma. Allman Brothers "Live At Fillmore East" em particular na música "In memory Of Elizabeth Reed"...mas não só por ela.

Esses discos foram responsáveis por boa parte do que aprendi sobre como tirar sons, timbragem, como um solo de improviso pode ser interessante...
Tem outros, de outras bandas, mas esses me marcaram muito e acredito que com todo mundo seja assim. Um determinado disco, ou músico, acende uma luz na tua cabeça e você entende algo...é o estopim...aí não tem mais volta.


domingo, 12 de janeiro de 2014

Palhetas e duos de guitarra

Palheta

Palhetas...sim, elas também atuam no timbre. Uso as médias e pra mim esta ok. O material usado também influencia e mais uma vez é questão de gosto. Particularmente não gosto do timbre das feitas em nylon, assim como não gosto da textura delas. As palhetas que mais gostei, me parece que a Fender não fabrica mais ou pelo menos eu nunca mais as encontrei nas lojas. Nos anos 80 eles usaram um plástico que lembrava neon e tinham cores vibrantes como as da época. Rosa choque, verde limão, vermelho alaranjado... eram perfeitas no timbre, pegada e na durabilidade. Fora essas, as tradicionais tartarugas da Fender e algumas outras de plástico servem. O formato da palheta, novamente é questão de gosto e adaptação e não existe o melhor.

Existe uma gama de sonoridades e variações de timbre na região do corpo da guitarra, na área que nossa mão direita (ou a mão que estiver usando a palheta) fica posicionada. Da ponte ao início do braço, temos pequenas variações de côres. Se formos palhetando alguma corda ao longo dessa região, percebemos que seu som, timbre, corpo..vai alterando. Perto da ponte ele é mais magro, agudo, frágil.. e podemos brincar com isso, caso a gente queira dar um colorido diferente no solo. Atente sempre para sutilezas.

 Maneiras de se atacar as cordas, variações de ãngulo da palheta em relação a corda, palhetadas mais pesadas ou mais leves, o que tem a ver também com a interpretação que você queira dar...ou seja..dinâmica.. ligação direta com o uso que você souber fazer da palheta. 


Uma banda que se destacava em relação a timbragens e sutilezas e que seus guitarristas usavam bastante este(s) recurso(s) da palheta, era o Wishbone Ash. Andy Powell e Ted Turner eram mestres em extrair os mais belos timbres possíveis de suas guitarras. Guitarras essas que não tinham nada de diferente de qualquer outra...a diferença era quem tocava nelas. Ouçam o primeiro disco ao vivo deles de 1973, chamado Live Dates. A riqueza de timbres e técnicas para se conseguir extraí-los, estão por ali.

Claro que nisso entra também a timbragem do amp e as vezes o recurso de algum pedal, mas basicamente, os guitarristas da época não tinham muitas opções além da guitarra, do amplificador, bom gosto, talento e idéias.

Outro bom exemplo que posso dar, é com o falecido e um dos grandes e influente guitarrista da história do rock, Rory Gallagher. O tema "Messin with the kid" de seu álbum Live In Europe, é um bom exemplo disso.
Jeff Beck é outro que também usava muito esses recursos de palheta.

Bandas com duos de guitarras sempre me fascinaram e entre as que conheço, o Wishbone Ash se supera nesses quesitos e timbragens. Existem muitas bandas com dois e até 3 guitarristas, que chega a ser um desperdício de criatividade...ao contrário do Wishbone e algumas outras como o Man, uma banda que tinha um som super interessante, algo como um Rock Progressivo Psicodélico de garagem. Eles também eram ricos em timbres e gostavam de brincar com delays, por exemplo. Nessas bandas, as guitarras realmente teciam e não ficavam ambas fazendo a mesma coisa, como já vi muitas outras com esta formação fazerem. Normalmente são bandas ligadas mais ao rock tradicional, cujo tipo de som não pede muitas variações e mesmo quando tem, giram em torno de um mesmo universo...mas acredito que poderiam ser mais criativas.

O Allman Brothers com Duanne Allman e Dick Betts, criou escola com seus slides, timbres, longas jams e fez inúmeros seguidores, mais ou menos influenciados por eles. King Crimson com Robert Fripp e Adrian Belew também são bons exemplos de timbres e efeitos inusitados e também duas guitarras fortes, cada uma fazendo suas partes, uma diferente da outra. O Doobie Brothers também se destacava, muito em função de seu guitarrista Pat Simmons que junto a Tom Johnston, criavam boas texturas. Streetwalkers, principalmente por um de seus guitarristas, John Charlie Whitney,  com excelentes linhas de harmonia, conversando com a também boa guitarra de Bob Tench...o outro guitarrista do Streetwalkers.


A importância da guitarra base. lembre-se que guitarra não é só solo e tirando música instrumental, o trabalho dela é basicamente calcado na base.

O Grand Funk Railroad, por exemplo, no quesito guitarra não se destacava nos solos ou por ter um guitarrista genial, mas Mark Farner, entre outras qualidades como, cantor e compositor..além de homem de frente... era um excelente guitarra base, sabia usar muito bem o wha-wha e tinha um timbre personalíssimo.