domingo, 9 de março de 2014

Fernando Medeiros - Slide Guitar - Improvisação em Open Gm



Pequena improvisação usando guitarra slide em afinação aberta de Sol menor - Open Gm

Este tema não existe, acredito eu rs o criei na hora e fiquei improvisando em cima.

A qualidade do audio não é das melhores pois foi feita com meu note book, mas acredito que possa ser de alguma valia para quem gosta de guitarra slide.

Grandes discos gravados ao vivo - Dave Mason Certified Live - 1976


Album duplo gravado ao vivo em 1976. Saiu no Brasil no mesmo ano.

Dave Mason, ex Traffic, estava com esta banda já ha alguns anos e a quimica dos músicos era excelente.
O disco abre com Feelin Alright, um clássico de Mason e que já foi regravado por dezenas de artistas e bandas...incluindo o próprio Dave Mason, sempre com arranjos diferentes. Também não faria o menor sentido regrava-lo sempre igual.

Não creio ser a melhor versão que já ouvi dele, feita pelo próprio, mas é boa também e daí em diante o disco esquenta. Seguem duas músicas no estilo inconfundível de Mr Mason. Músicas que tem um Q de balada mas não deixam ninguém dormir pois as levadas sempre tem um certo groove.

A última música do lado A é uma regravação de All Along The Watchtower, de Bob Dylan e tem uma pegada sensacional. Seguramente uma das melhores versões desta música.
Rick Jaeger é um senhor baterista e em todo o disco ele se destaca.

O lado 2 do disco 1 é acústico e os vocais, como em todo o disco, se destacam. Abrem com Take It To the Limit do Eagles, seguem com as boas Give Me a Reason Why e a intimista Sad And Deep As You. Depois uma bem conhecida dele, a simpática Every Woman e fechando o lado acustico, volta a eletricidade e o groove com World In Changes.

O lado 3 (segundo disco) abre com o blues Goin Down Slow, cuja a introdução é um pequeno cover de uma gravação deste blues, feita por Ray Charles..na sequencia Mike Finnigan mostra seu potencial como cantor. No solo brilha a guitarra de Jim Krueger usando um talk box, onde ele brinca imitando Louis Armstrong em um determinado trecho. No final Dave Mason passa a ser a guitarra de frente.

Look at you, look at me é a próxima e bem azeitada em seus quase 13 minutos.

O quarto lado abre com a clássica Only You Know and I Know, segue com outro blues, Bring It On Home, cheio de segundas vozes e mais uma vez um solo com Talk Box de Jim Krueger.
Fechando o disco, a velha e certeira Gimme Some Lovin' volta a agitar o ambiente.

Dave Mason como guitarrista tem um estilo simples, não se destaca muito e nem podemos considera-lo como um dos grandes... mas é inconfundível, muito em função do timbre de sua guitarra...estivesse ele tocando com uma Stratocaster ou uma Firebird...que me parece ser a que ele usa neste disco. Se você é familiarizado ao som dele, você reconhece sua guitarra.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Críticos de Rock


Alguns criticos de rock, inventaram que saber tocar bem um instrumento, ser um virtuose, tocar rock que parecesse ser música mais séria não combinava com o espírito do mesmo...ou seja...o rock como música não poderia evoluir. Teria que ficar eternamente nos 3 acordes, mascarados por toneladas de distorções onde ninguém poderia definir se o que estavam tocando era música boa, ruim, ou apenas barulho. A inteligência musical e auditiva que o rock tentasse mostrar estavam proibidas... era a volta pra caverna.

O rock tinha que ser básico, simples, pobre, barulhento, com pose de moderno e sempre curtinhos...mais que 3 minutos tava proibido.

Isso foi aos extremos nos anos 80 e 90, mas não era coisa tão nova assim.

Ezequiel Neves em um número do jornal Rolling Stone de 1972, onde não sei se copiando algum crítico estrangeiro de segunda, dizia que o Yes e o rock progressivo de uma maneira geral, era pretencioso... e aquela charopada toda que a partir dos anos 80, quase todos que escreviam sobre rock e não só sobre o rock progressivo dos anos 70, repetiam feito papagaios com um profundo desprezo e desrespeito pelas gerações anteriores..justo pelas mais criativas que existiram...as dos anos 60 e 70... que na realidade é a mesma. 90% das bandas dos anos 70 começaram nos anos 60...é só consultar a história.

Neste mesmo número da Rolling Stone, ou em outro...Ezequiel Neves babava pela J.Geils Band...uma banda de rock and roll legalzinha apenas, como muitas outras e cuja fama era mais por suas apresentações energéticas do que pela originalidade ou qualidade de sua música.

Os críticos de rock tem essa necessidade de permancer na adolescência, talvez para aumentar seu tempo de vida útil, buscando novos leitores e tentando fazer a cabeça deles...coisa que conseguem muito fácil.

Nos anos 80 fizeram a festa e como sempre achincalhando, ridicularizando, denegrindo qualquer tipo de rock que parecesse estar sendo tocado por músicos de verdade. Ser virtuose então, virou crime.

Concordo que a praga que se tornou o tipo de virtuoso pirotecnico, cujo um dos disseminadores foi o Van Halen, virou um troço chato, uma mesmice exibicionista e um lance bem brega. Mas separemos as coisas.
Existe o virtuoso que pensa em uma direção e existe o genial que vai em direção oposta. Jimi Hendrix, Jeff Beck, e tantos outros como o próprio Van Halen, poderiam ser classificados só como virtuoses? Não!

Esses músicos estavam acima de tudo querendo fazer música original e não ficar no mesmo lugar. Curiosamente a guitarra era o veículo e não poderia deixar de ser diferente.

Nenhum outro instrumento é como a guitarra, que se presta a tantas possibilidades e sonoridades. E ha bem pouco tempo esses mesmos críticos vem tentando mata-la... isso que é pretensão.

Voltando aos músicos que os críticos desprezam, Tom leão no jornal o Globo, várias e várias vezes fazia isso..atacar o rock dos anos 70. Disse até uma vez que ele era individualista...um absurdo.
Aí veio a febre dos djs e ele pra ficar na onda começou a endeusa-los. E eu pensei...existe coisa mais individualista do que um cara sozinho em cima de um palco com suas pick-ups?

O vi também babando por sua banda do coração quando lançaram algo com orquestra...e lá foi ele mordendo a lingua de novo.
Quer dizer que com essa sua banda querida não é pretensão fazer isso? Mas para os primeiros que fizeram é?
Que cara mais incoêrente.

Um outro do mesmo jornal...Bernardo alguma coisa, com a mesma falta de personalidade vinha com seus ataques.
Lembro de uma vez ele falando sobre heroína, colocar o título dúbio. "A droga dos anos 70.... pelo título imaginávamos que iria falar da música, é claro, pois volta e meia ele descia o malho nela... só depois é que víamos que ele estava falando de drogas de verdade. Mas a intenção oculta no título...

Arthur Dapieve. Na primeira vez que vi uma aparição sua em um jornal, (Jornal do Brasil, se a droga da minha memória...) aproveitando a vinda do Jethro Tull ao Brasil, disse com todas as letras.
"O Jethro Tull é das poucas coisas que prestaram nos anos 70"

Tempos depois ele começou a mudar. Disse que gostava do Free, que preferia o Dick Betts (Allman Brothers) ao Eric Clapton (não sei o que um tem a ver com o outro)...começou a citar o que antes negava e tratava como lixo....e começou a falar também de jazz e outros estilos...aí eu pensei... tô fora desse balaio de doido...compreênsível... um cara que diz que a melhor banda do mundo é Echo and the Bunnyman, só pode ser doido mesmo. Mesmo o achando o melhor entre os outros, cansei e parei de ler seus escritos.

Estou longe de achar que tudo o que foi feito nos anos 60 e 70 foram o máximo. Tem coisas ruins, coisas chatíssimas e coisas inexpressivas. Tem bandas que todos amam e eu acho um saco! Certos intocaveis pra mim são só mais um e não os melhores, como a maioria enfiou na cabeça...aliás, muito disso também tem o dedo da tal critica especializada. Mas o caso é que a proporção entre bom e ruim é muito maior para o primeiro.

Ja reparei também que eles sempre citam as letras dos que eles acham os geniais. Da música não falam muito, até porque, também já reparei, que os geniais deles na parte musical são sempre fracos, não cantam nada, não tocam nada.... tudo faz sentido.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Começando a tocar - 2

Todo mundo que quer tocar guitarra, tem sempre uma primeira preocupação. Aprender a solar.

Acho que comigo também não foi diferente e um dos caminhos inevitáveis para aprender, é ouvindo discos que tenham grandes guitarristas.
 
Não lembro exatamente de todos, mas pelo menos 3 discos foram decisivos para mim. Curiosamente os 3 foram gravados ao vivo.

O primeiro, que já citei aqui em algum post, foi o do Rory Gallagher.
Considero até hoje minha aula mais importante, seu solo em "Messin with the kid" do disco "Live In Europe", que ouvi fresquinho na época de seu lançamento.

O segundo, o considero também uma aula de timbres, sutilezas, belezas e bom gosto. O ouvi também na época de seu lançamento, fresquinho, cheirando a novo. Wishbone Ash "Live Dates"..o primeiro Live Dates da série.

O terceiro, já tinha sido lançado mas me chapou e me clareou os ouvidos da mesma forma. Allman Brothers "Live At Fillmore East" em particular na música "In memory Of Elizabeth Reed"...mas não só por ela.

Esses discos foram responsáveis por boa parte do que aprendi sobre como tirar sons, timbragem, como um solo de improviso pode ser interessante...
Tem outros, de outras bandas, mas esses me marcaram muito e acredito que com todo mundo seja assim. Um determinado disco, ou músico, acende uma luz na tua cabeça e você entende algo...é o estopim...aí não tem mais volta.


Começando a tocar - 1



Quando uma pessoa esta começando a tocar um instrumento, entre as dúvidas normais, algumas outras mais ligadas a ansiedade, em querer aprender logo, tocar as músicas que gosta, tocar igual (sic) seu(s) ídolo...enfim...atormentam o iniciante e sua cabeça fica cheia de perguntas e desejos. Comigo não foi muito diferente.

Na época em que comecei a tocar, 1972, tudo era difícil. Professor de guitarra conheci apenas um. Não cheguei a ter aulas com ele pois era  muito requisitado e me parece que trabalhava em estudio. Se chamava Marquinhos, tinha uma Gibson SG e morava na Rua Raul Pompéia, quase esquina com Julho de Castilho no posto 6, em Copacabana. Anos depois tive algumas aulas de teoria com Armenio Graça...o suficiente para aprender a ler e escrever partituras.

Não sei se por ser auto-didata, nunca gostei de ensinar.
Me falta paciência, didática e principalmente dom para isso.
Posso estar errado mas no meu entender, para ser um bom professor você tem que ter também o dom de ensinar e dou muito valor a quem o tem, pois eu não tenho e gostaria de ter.

Aos poucos alunos que tentei ensinar algo, alguns vinham com umas perguntas que eu não me fiz quando comecei a aprender.

"quanto tempo eu demorei para fazer o primeiro solo"

Simplesmente não sei. lembro que nunca me preocupava em tirar solos inteiros.
Minha atenção estava voltada para pequenas coisas como riffs, efeitos, técnicas, pequenos detalhes e coisas que enriqueciam os solos.
Os solos em si, admirava por sua inventividade ou não e nos meus treinamentos minha preocupação era apenas solar aleatóriamente, independente de minhas limitações e pouco conhecimento, mas sempre tentando criar alguma melodia.

Lembro também que tinha minha atenção voltada para solos longos e que fossem realmente criativos. Solos baseados em riffs e repetição de células, eu sequer interpretava como solos, pois percebia que eram todos montados.

Aprendi uma ou outra escala e meus estudos de solos eram na base do improviso, usando essas escalas.
Desde o começo foi assim e claro, também ou principalmente, ouvindo os discos e pegando os detalhes que comentei, aprendendo a como fazer determinada coisa e incorporando isso.

Como não sabia muita coisa de harmonia, colocava dois ou três acordes na cabeça e ficava solando em cima desse acompanhamento imaginário. Não devia sair tão ruim, pois ninguém reclamava. Exceto minha mãe que uma vez me perguntou: Você não toca nada conhecido? rs

Meu vocabulário evidentemente era limitado e isso funcionou de forma produtiva, pois ficava o tempo todo tentando criar coisas novas e isso me fazia arriscar e tentar caminhos que não conhecia ainda. Isso fez com que eu ficasse bem safo nos improvisos e exigente também.

Até hoje me broxa quando percebo que meus improvisos estão deixando de ser improvisos e se tornando caminhos pelos quais já passei. Essa insatisfação me fez também, inconscientemente, me ligar em melodias, pois se eu repetisse melodias no improviso, ficaria evidente demais que haviam deixado de ser improviso para serem frases prontas. E isso terminou se tornando um diferencial na minha forma de tocar. Sempre que improviso, tento criar alguma história nova...se vai ser boa ou ruim, são outros quinhentos.

Gosto por exemplo dos improvisos do Allman Brothers e em especial, gostava dos criados por Dicky Betts, que sempre me levava em seus climas até chegarem ao ápice. Não fiquei bom nisso, em criar esses climas crescentes e emocionantes, mas sei apreciar os que sabem fazer isso bem.

Para aprender a solar fiz dessa forma e o conselho que posso dar,  além de ouvir o máximo de guitarristas que você puder, separando os que valem a pena dos que nada te acrescentarão, é...destrinche o braço da guitarra. Aprenda aonde fazer o mesmo solo no máximo de lugares possíveis. Misture as escalas e não se atenha a nenhuma, apesar do que, as pentatônicas sempre estarão no seu caminho e funcionam.
 
Fique muito atento a digitação, estude-a, observe os caminhos, desdobre-a, enrole-a e faça gato e sapato dela...você pode ir para qualquer lugar e de forma fácil atravez da digitação.
E se descobrir ou criar um caminho de digitação que te de uma liberdade absurda, treine-a até incorpora-la a sua forma de tocar e use-a, pois do contrário, acredite.. você vai esquecer como fazer e depois vai ficar se lamentando feito eu.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Levantando a ponte para tocar slide

Minha idéia com os toques que dou, é ajudar quem conhece pouco mas mesmo assim pode fazer sozinho algumas mudanças em sua guitarra.

Me perguntaram como se levanta a ponte e se coloca as cordas mais altas para tocar slide.

É simples:

Lembre-se que as cordas ficando 2 milimetros de altura em relação ao braço da guitarra, normalmente é suficiente para ter uma boa ação no uso com o slide.

Mas para ficar direitinho, mesmo sem você ter um gabarito desses como o da foto abaixo,é um pouco mais complicado, mas não impossível. Regule o saddle da primeira corda na altura desejada, deixando-o reto..não fazendo nenhuma inclinação. Ou seja, ambos os "parafusos" na mesma altura. Aí você vai para a segunda corda. Coloque o saddle aproximadamente dois milímetros acima do primeiro, lembre-se que os parafusos ficam sempre na mesma altura..não fazem inclinação. O terceiro sadlle, suba aproximadamente 2 milimetros do segundo sadlle. O quarto igual ao terceiro. Do quinto ao sexto, faça o caminho inverso. Não é tão difícil. Arrisque. Tem vídeo no You tube mostrando como fazer isso.

Em pontes estilo Gibson isso não é preciso.

E não tenha medo... nada disso estragara sua guitarra.

Dividindo o mesmo show

Em shows divididos, você vê e confirma como os músicos são desunidos e se puderem te sacanear, sacaneiam mesmo.

Sempre que toquei em shows assim, respeitei o tempo que me cabia, dei toques para outros músicos caso notasse algo errado e também sempre fiz questão de após acabar o meu show, desmontar minhas coisas e sair o mais rápido possível do palco para que quem viesse tocar depois, montasse seu set com tranquilidade e sem tanta correria, pois sei que além da parte técnica e prática da montagem...cabos, pedais, amp, quando é o caso... tem também uma que normalmente demanda tempo.
Timbrar decentemente seu instrumento.

Eu faço isso relativamente rápido pela experiência e porque também uso pouca coisa...mesmo assim, timbrar nunca é tão rápido quando você não esta usando o seu set e não tem tempo de fazer isso na passagem de som...quando tem passagem de som.

Uma vez dividindo um show, a outra banda nos pediu para abrir porque alguém da banda deles teria que sair cedo, sei lá porque motivo. O combinado era que nós abriríamos o show.

Beleza..a contra gosto concordamos. A contra gosto porque 90% do público que estava lá era para vê-los, então teoricamente iríamos tocar para uma casa quase vazia. Mas aceitamos..afinal eram nossos "amigos" e estavam com esse problema.

Começou o show deles, demorou pra acabar... até que terminou.
Fui para o lugar aonde eu iria montar minhas coisas e o tecladista estava lá paradinho sem sequer enrolar um cabo, todo sorridente conversando com seus amigos.

Falei com o cara e não me deu atenção. Ficou uns 5 a 10 minutos até começar a desligar suas coisas...e levou mais outro tanto de tempo pra fazer isso tudo e finalmente liberar o palco pra mim.
Desrespeito geral...não só comigo mas com o público que ainda estava lá.
Minha vontade nessas horas é pegar as coisas do sujeito e jogar tudo pra fora do palco...incluindo ele.

Tocamos para um público em sua maioria desinteressado e depois que acabou o nosso show, vimos que o tal músico que precisava sair mais cedo estava lá...não teve que ir embora porcaria nenhuma..tudo mentira. Todos mui amigos.

Esse é apenas um exemplo...existem vários, incluindo sabotagens em aparelhos de uso comum no palco... tem que ficar ligado.

Depois de um tempo a gente aprende ao menos a não ser tão simpático.

Se tiver outra banda pra tocar, eu continuarei a sair rápido do palco, não me interessa atrasar o lado de ninguém.
Agora...amiguinho, bonzinho, otário....